domingo, 27 de março de 2016

A MAGNÍFICA ROUPA DO REI... (Mas, "O REI ESTÁ NU")





A roupa nova do imperador

(Tudo a se haver com o caso de Lula e Dilma)

A roupa nova do rei, O fato novo do imperador, O fato novo do rei, As roupas novas do imperador, etc.) é um conto de fadas de autoria do dinamarquês Hans Christian Andersen, e foi inicialmente publicado em 1837.

O conto de Andersen foi inspirado numa história encontrada no Libro de los ejemplos (ou El Conde Lucanor, 1335), uma coleção medieval espanhola de 55 contos morais de várias fontes como Esopo e outros autores clássicos e contos persas, compilados por Juan Manuel, Príncipe de Villena (1282–1348). Andersen não conhecia o original em castelhano, mas leu a versão do conto em língua alemã intitulada "So ist der Lauf der Welt". 

No conto original, um rei recebe cavilosamente de tecelões um traje que seria invisível a todos menos àqueles que são filhos legítimos de seus pais presumidos. Já Andersen altera sua fonte para direcionar o foco da história para a vaidade cortesã e soberba intelectual.

História

Um bandido, se fazendo passar por um alfaiate de terras distantes, diz a um determinado rei que poderia fazer uma roupa muito bonita e cara, mas que apenas as pessoas mais inteligentes e astutas poderiam vê-la. O rei, muito vaidoso, gostou da proposta e pediu ao bandido que fizesse uma roupa dessas para ele.

O bandido recebeu vários baús cheios de riquezas, rolos de linha de ouro, seda e outros materiais raros e exóticos, exigidos por ele para a confecção das roupas. Ele guardou todos os tesouros e ficou em seu tear, fingindo tecer fios invisíveis, que todas as pessoas alegavam ver, para não parecerem estúpidas.

Até que um dia, o rei se cansou de esperar, e ele e seus ministros quiseram ver o progresso do suposto "alfaiate". Quando o falso tecelão mostrou a mesa de trabalho vazia, o rei exclamou: "Que lindas vestes! Fizeste um trabalho magnífico!", embora não visse nada além de uma simples mesa, pois dizer que nada via seria admitir na frente de seus súditos que não tinha a capacidade necessária para ser rei. Os nobres ao redor soltaram falsos suspiros de admiração pelo trabalho do bandido, nenhum deles querendo que achassem que era incompetente ou incapaz. O bandido garantiu que as roupas logo estariam completas, e o rei resolveu marcar uma grande parada na cidade para que ele exibisse as vestes especiais. A única pessoa a desmascarar a farsa foi uma criança: - "O rei está nu!". O grito é absorvido por todos, o rei se encolhe, suspeitando que a afirmação é verdadeira, mas se mantém orgulhosamente e continua a procissão.

Para a plebe ignara e insana o Rei estava magnificamente trajado. Somente para uma criança, na pureza de sua sabedoria e inteligência, foi realmente sincera e não se deixou levar pela hipocrisia e pela submissão aos interesses de um tirano, quando gritou; “O REI ESTÁ NU, NO MEIO DA RUA”.

sábado, 12 de março de 2016

AMANHÃ, 13 DE MARÇO, HAVERÁ DE SE INICIAR UM NOVO DIA!!!


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O BRASIL SEMPRE, COM ALGUMA EXCEÇÃO, FOI UM PAÍS DESGOVERNADO.

No Império tivemos a figura exemplar de DOM PEDRO II, que foi um governante justo, honesto, sábio e, acima de tudo, dedicado exclusivamente aos reais interesses da jovem nação brasileira que, durante seu reinado teve um progresso que jamais experimentou em qualquer outro período da história de nosso país. Foi esse imperador que, mesmo enfrentando todas as dificuldades e imprevistos de uma jovem nação, desaparelhada em todos os seus segmentos, teve ele a sabedoria e o poder de criar as condições necessárias para alicerçar, de forma segura e bem estruturada, os pilares com os quais era de seu desejo construir uma grande Nação. E depois dele, depois do grande golpe que foi a Proclamação da República, nunca mais surgiu outro governante, na figura de presidentes da república, que pudesse pelo menos imitá-lo em sua grandiosidade de administrador preocupado com a educação, com a cultura, com as pesquisas, com a introdução de novas tecnologias, com a segurança e com a busca permanente dos recursos necessários para o nosso desenvolvimento, sempre com equidade, justiça, muita sabedoria, equilíbrio e respeito às leis e ao sentimento da nacionalidade. 

Quiçá nosso Brasil estaria hoje entre as mais adiantadas potências do mundo se o Império desse grande estadista tivesse merecido a devida continuidade e nosso país não tivesse tido a infelicidade de um golpe tão absurdo por parte de um militar que, ele mesmo, não acreditava no que estava produzindo, tamanha era a sua inconsequência e falta de planejamento. Tanto é assim que não houve qualquer reação por parte do Imperador, um cavalheiro culto, homem gentil, pacato, bem intencionado, amigo de seus subordinados aos quais sempre procurava dar tratamento de grande consideração e respeito e dos quais jamais esperava tamanha traição. O próprio Marechal Deodoro da Fonseca, por várias oportunidades, demonstrou seu real arrependimento de ter conduzido aquele gesto tresloucado de insanidade e desobediência. Contudo, talvez por falta de reação do Imperador, que se revelou quase que aliviado ao ser obrigado a abandonar o nosso país, os militares golpistas preferiram dar continuidade a um projeto do qual não tinham nem mesmo um esboço. 

Tudo, a partir daquele 15 de novembro de 1898, passou a acontecer de forma improvisada e destrambelhada, como ocorre em situações dessa natureza. 

A Velha República foi um fracasso geral, apesar da existência de grandes lideranças, que de fato eram competentes em áreas específicas, como era o caso do próprio Deodoro, além de Floriano Peixoto, Quintino Bocaiuva, Rui Barbosa e tantos outros figurões que não souberam, entretanto, formar uma unidade governativa capaz de dar continuidade aos projetos do Imperador, mesmo que com eles concordassem e desejassem vê-los progredir e expandir na direção de todos os recantos do imenso país, pois não tiveram a competência e nem a humildade de reconhecerem que não estavam devidamente preparados para substituir o ex-governante, uma figura exponencial, de envergadura admirável em todo o mundo, contra o qual não havia qualquer mácula a não ser o ódio que inocentemente despertava nos súditos irresponsáveis e que eram movidos pela inveja, pelo egoísmo e pela falta de patriotismo. 

A Velha Guarda Republicana levou o Brasil, aos solavancos e atropelos, durante uma época conturbada pela Primeira Grande Guerra, na infelicidade de um clima tenebroso e imprevisível, seguir até o advento do Estado Novo, quando se iniciou outro período nebuloso e, depois, com a Ditadura de Vargas, fez o país mergulhar novamente num processo de adversidades, inconstâncias e indecisões, no qual se sucederam figuras perniciosas de nossa história na qual se torna difícil estabelecer, numa justa avaliação, qual delas foi a menos ruim no contexto republicano, talvez fazendo-se algum esforço para pinçar alguns momentos mais favoráveis apenas durante o Governo do Presidente Juscelino Kubistcheck e, mais recentemente, durante o governo do Presidente Itamar Franco. 

Nos demais governos, todos marcados pela triste corrupção – mesmo durante o período militar que se iniciou com a quartelada de 31 de março de 1964 – o Brasil foi um completo fracasso e viveu na ilusão da propaganda enganosa, na farra da roubalheira e na deslavada e escandalosa corrupção que se acentuou grandemente com a chegada ao governo da república com o indigitado regime petista, sob a orientação do Foro de São Paulo e a inspiração marxista de um grupo de maus brasileiros que buscam tão somente o poder pelo poder, com a obsequiosa participação dos demais poderes e, o que é pior, sob o olhar omisso das Forças Armadas a quem, a priori, competiria zelar pelos interesses do povo oprimido e desorientado, numa situação que beira o caos e que se anuncia como um cataclismo sem precedentes e que poderá ser a derrocada de um POVO, de um PAÍS e de uma NAÇÃO que, se for acudida a tempo, terá todas as condições de se tornar um ESTADO RESPEITÁVEL E ADMIRÁVEL PELO CONCERTO DAS NAÇÕES SÉRIAS DO MUNDO ATUAL.

Que o BOM DEUS, em sua sabedoria e misericórdia, possa nos livrar de todo o mau que se descortina no horizonte nebuloso de nosso amanhã!
 

domingo, 14 de fevereiro de 2016

MENTIRAS DA INTERNET: "FAKES"



“FAKE” - DEVEMOS TER MUITO CUIDADO COM O QUE SE ESPALHA PELA INTERNET...
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Os últimos dias, depois do carnaval, têm sido dolorosos em razão de tanta notícia ruim. A quarta-feira de cinzas, particularmente, foi um dia terrível, pois fomos surpreendidos com duas notícias muito tristes, que nos deram conta do falecimento de duas pessoas pelas quais continuaremos ter grande apreço e das quais nunca haveremos de esquecer. Tanto o meu primo TONINHO (filho de minha saudosa tia e professora Dona Elizinha Borges) quanto o meu dileto amigo CARLÃO, querido colega de serviço, por longos anos companheiro de jornadas no Banco do Brasil, partiram muito cedo, mas o que nos resta é apenas nos consolar com suas boas lembranças, rogando ao Bom Deus que os cubra de todas as glórias que ambos merecem e que certamente já devem estar gozando. A morte, infelizmente, é uma realidade com a qual jamais haveremos de nos acostumar, de vez que este será – também – o destino de cada um de nós, a qualquer momento, num dia que esteja próximo ou que possa estar lá bem longe, numa data bem distante. Nada sabemos sobre o dia de amanhã, a não ser que a grande realidade é a de que VIVEMOS TODOS É NA PALMA DE DEUS (conforme nos ensina a sabedoria do nosso ilustre conterrâneo Cardeal Dom Serafim Fernandes de Araujo), tudo de acordo com os desígnios do Nosso Criador que é, também, o Dono de tudo e o Único a quem cabe decidir sobre cada acontecimento no desenrolar de nossa existência. Cabe a nós, frágeis criaturas, fortalecermos a cada dia com a bênção de mais um dia, sempre na ESPERANÇA de que muitos dias virão para que possamos deixar algum rastro de amor, de boas realizações e de motivos que garantam que, no futuro, sejamos lembrados como alguém digno e que tenha sido útil para alguma coisa nesta vida.
E nesse caminhar, embalado pelas lembranças , mas também animados pela fé e pela capacidade de superação, aconteceu-me que na manhã de hoje, estando à caminho da padaria, que fica aqui bem perto de minha casa, ouvi mais uma notícia que, naquele momento, me causou um grande impacto, mas logo me lembrei de que certas notícias devem ser confirmadas em consultas a outras fontes, pois têm sido muitas as falsas notícias de que alguém importante e famosa tenha morrido, o que logo se revela ser mais um “FAKE”, no linguajar da internet. Na fila da padaria ouvi a mesma notícia e mesmo assim não acreditei e, tão logo retornei à minha casa, liguei o computador e, apressado, confirmei que, realmente, “havia morrido” o grande cantor SÉRGIO REIS, um artista que aprendi a admirar desde os tempos da “jovem guarda”. Fiquei arrasado , e imediatamente, peguei o celular e liguei para Carlos (meu irmão) que mora em Brasília, onde tem como um dos frequentadores de sua casa aquele personagem que julgava , com base nas informações recebidas pela Internet, ter falecido. Tal não foi a minha surpresa, quando Carlos logo foi tranquilizando-me, dizendo que tal notícia não merecia ser acreditada, de vez que – justamente naquele momento – havia acabado de falar com o seu amigo ‘deputado Serjão”, com o qual esteve combinando uma série de projetos nos quais tem colaborado com opiniões e eventuais assessorias. Disse-me o meu irmão que esta não é a primeira vez que “matam” o Serjão, sendo que, há algum tempo, veicularam pela internet que ele “tinha sido vítima de uma vingança”, por parte dos parentes do “Menino da Porteira”, com a alegação de que seu “crime de pedofilia” já estava prescrevendo sem qualquer punição. O tal crime seria por ter “cantado” – várias vezes – o tal menino. Coisas de quem não tem o que fazer!...(Rssssss...) Fiquei aliviado, demos boas gargalhadas, mas logo voltei a ficar pensativo, achando que o melhor seria aguardar o noticiário do “Fantástico” para ver se veicularia alguma informação e, GRAÇAS À DEUS, de fato a notícia era falsa e o nosso SERGIO REIS continua firme e forte na sua cantoria e nos seus bons projetos como um dos melhores políticos da atualidade e que têm dado os melhores exemplos de seriedade e compromisso com os saudáveis destinos de nosso país. Mesmo assim continuo a imaginar como é que podem existir “espíritos de porco” que gostam de espalhar boatos dessa natureza, causando tanto sofrimento e apreensão. E refletindo sobre os tristes acontecimentos da quarta-feira de cinza, passou-me pelo pensamento uma doce sensação de que – a exemplo do “fake” sobre o Serjão, também aquelas notícias sobre os meus amigos de Minas Novas, também poderiam ser “infelizes brincadeiras”, mas – infelizmente – por mais que eu desejasse que fossem mentiras, senti o peso dessa infeliz realidade com a qual haverei de lutar para com ela me acostumar. E, juntando novamente as minha forças, peço ao Deus Misericordioso que tenha pena de nossas ilusões e nos livre de todos os enganos e maldades desta vida cheia de tanta gente irresponsável e desorientada pela falta de amor.


https://www.youtube.com/watch?v=2wt_C-SnQ2w
 

domingo, 17 de janeiro de 2016

MANDINGAS DE CURADOR E OUTRAS TREITAS DE UM RAIZEIRO DENGOSO



JOÃO SURUCO era um “nêgo toleteiro, das canelas finas e metido a curador” segundo as palavras de seu próprio tio José Alves, descendentes de africanos Cabindas, ambos que eram moradores no Macuco, frequentadores de quizumbas e que jamais perdiam fonções, terços cantados, incelências ou forrós onde, em qualquer lugar nas redondezas, fossem esses eventos realizados. Carregava consigo uma bruaca bem fornida de mezinhas, cheiros, raízes e patuás, além de levar bem agasalhada uma boa muda de roupas domingueiras para o caso de ter que se apresentar mais arrumado em algum baile da fina sociedade, o que fazia com muito gosto e durante toda a noite, sem faltar a um toque, fosse de sanfoneiro ou de outra boa orquestra. Era caboclo muito assíduo nas rodas de samba, sendo ele de passo dengoso e cheio de suas manhas, com as quais conseguia engambelar as donzelas mais cobiçadas do salão e, neste particular, atraia para si a inveja de muitos desafetos que lhe jurava vinganças traiçoeiras. Mas o tinhoso do João era tão safado, como o danado do famalial que ele mantinha preso numa garrafa, em seu alforje, na mesma medida em que também era sabido de curiosas treitas, que em razão dessas mandingas jamais se deixava cair nos laços que lhes armavam os invejosos. Ninguém, por mais que lhe fosse íntimo, jamais ficava sabendo de seu pouso, onde dormia e comia, vivendo ele de deu em deu, como um judeu errante, a quem se atribuíam poderes mirabolantes e malacafentos. Sua fama, como ele próprio, corria trechos que vinham deste a Moça Santa, atravessava a Mata e de lá seguia até a Bahia, passando pelo Sertão. A bem da verdade, suas benseções eram de fato famosas e surtiam efeitos curadores, frequentemente requisitadas pelos ricos criadores de gado vacum que desejavam a boa saúde de seus animais, inclusive os de montaria e outros serviços, eventualmente maltratados pelas moscas do chifre e outras macacoas perigosas que também atacam as pessoas em tempos insalubres, pelo que não regateiavam nos custos. Seus feitiços e encantamentos lhe permitiam, por exemplo, quando estivesse em apuros, fazer mascar as carabinas e pistolas, entortar a lâmina de punhal, transformar-se numa pedra ou num toco de pau, ficar invisível na beira do caminho, podendo ir de um lugar a outro distante, sem uso de transporte, apenas pela força de seu pensamento. E, quando queria, atravessava paredes, poço d’água sem molhar e se enfiava pelo buraco de qualquer fechadura, como se fosse uma chave ou uma suvela.  E era esse o ofício que lhe permitia alguma renda mais abundante, dando-se ao luxo de ser enrabixado com diversas teúdas e manteúdas que viviam nas imediações do Mata-Dois, Capivari, Ribeirão do Meio e Lajinha. E desse seu defeito de homem pouco cristão, muitas eram as queixas que chegavam ao ouvido do juiz de Minas Novas. Mas o dito magistrado, muito cioso de sua própria segurança e conforto de sua saúde, para não se indispor com um sujeito de má fama e com o qual não queria estabelecer animosidades, preferiu fazer chegar até ao conhecimento do biltre o seu desejo de manter com ele maiores conhecimentos acerca daquela arte que tanto encanto e admiração enchia de curiosidade a augusta Inteligência da autoridade da comarca. E que, diante desse desejo, solicitava do amigo jurisdicionado que lhe desse o prazer e a honra de uma visita, quando haveriam de trocar algumas considerações de mútuos interesses. O convite foi encaminhado através de um diligente oficial de justiça, com a recomendação de não deixar transparecer que ali havia qualquer aspecto coercitivo ou intimidatório, pois se tratava apenas de um gesto de amizade, com ardentes desejos no sentido de se estreitarem uma produtiva parceria. Em troca dos ensinamentos, ao referido magistrado, que muito queria aprender as famosas mandingas de que o João Suruco detinha poderes, recebeu de presente uma rural willys ano 1968 e, certo dia, depois de ter aprendido dirigir, recebendo aulas de motorista que lhe eram ministradas pela esposa do amigo juiz, com ela se escafedeu para as bandas de Sertãozinho onde foram passear e por lá ficaram, como dois pombinhos, enquanto que o pobre do doutor, desiludido, passou a ser congregado mariano e a escrever piedosos poemas sacros  inspirados na vida de São Cornélio.
 

sábado, 16 de janeiro de 2016

COMARCA DE MINAS COVAS – Onde até os defuntos votam e elegem seus candidatos.


Pela comarca de Minas Novas (criada em 1809) passaram grandes magistrados, depois do Dr. Bartolomeu José Vahia, de origem baiana e que foi o seu primeiro juiz togado, tendo como sucessor o Juiz de Fora Dr. Francisco Lourenço de Freitas, paulista da cidade de São Sebastião e que se formou em Direito pela Universidade de Coimbra, no ano de 1824, quando seguiu diretamente para a Vila do Fanado, onde permaneceu como juiz de 1825 a 1828 com a missão de implantar o Fórum do Sobradão, com a necessária Organização Judiciária do novo Termo. Além desses bacharéis, pioneiros, a Comarca de Minas Novas, uma das mais antigas de Minas Gerais, teve como magistrados figuras da mais alta importância no judiciário, a exemplo do Desembargador TITO FULGÊNCIO, natural do próprio município, além de figuras ilustres da magistratura mineira como Helvécio Rosemburgo, Lincoln Ferreira, Sidônio Paes e Thomaz dos Anjos e Maria Celeste Porto Teixeira, mais alguns que deixaram histórias nem sempre muito dignas do cargo que exerceram em nome da justiça.
São vários os “causos” do conhecimento popular e que ficaram no folclore, atribuídos a juízes que tiveram sua passagem pela comarca de Minas Novas, em períodos diferentes de sua história, muitos deles que eram dominados pela influência dos chefes políticos ou pelos interesses grupais ou de pessoas poderosas da região.
É famosa a questão dos primeiros votos femininos, os quais naquela época eram vedados por lei, mas que, contrariando a lei vigente, foram permitidos nesse termo judiciário, ainda no longínquo ano de 1910, pelo juiz Francisco Duarte Coelho Badaró, com o objetivo de facilitar a eleição do General Hermes da Fonseca, contra a candidatura de Ruy Barbosa ao cargo de presidente da república, aberração eleitoral que, somente muito tempo depois, quando já não teria qualquer efeito prático, veio a ser anulada. Tal episódio, que a nível nacional ficou conhecido como Hermistas e Civilistas. Em Minas Novas, neste mesmo embate, também foram chamados a votar um grande contingente de eleitores que, depois, ficou apurado, era de títulos de pessoas há muito falecidas, o que foi chamado de Saracura X Viuvinha. Todos esses desmandos evidenciaram uma velha rivalidade, mas que já vinha alimentando e acirrando antigas disputas locais entre os coronéis ligados a José Bento Nogueira (sogro do magistrado) e os padres (liderados pelo cônego José Barreiros da Cunha). Desse lamentável entrevero, que se estendeu por várias décadas, restou o sepultamento das últimas esperanças de se promover a paróquia à condição de Diocese de São Pedro do Fanado. O ato final dessa lamentável disputa foi a demolição da Igreja Matriz, templo majestoso que estava sendo construído para ser a Sé do referido bispado, projeto desenvolvido pela Missão Espanhola chefiada, desde 1856, pelo grande Cônego Pacífico Peregrino e Silva, que chegou a ser Senador da república, sendo amigo do liberal Teófilo Otoni e, ao mesmo tempo, do monarquista Duque de Caxias. Inviabilizada a instalação da Diocese na antiga Vila do Fanado, transferiu-se o projeto para a incipiente cidade de Araçuaí, por força dos interesses secretos da Diocese de Diamantina que deseja manter o controle sobre as minerações no Rio Jequitinhonha, colocando estrategicamente à frente da nova diocese o “laranja” Dom Serafim Gomes Jardim, ferrenho opositor de todos os cônegos de Minas Novas (Barreiros, Bernardino, Barral, Amaral e Monsenhor Mendes).

A questão política, aliás, sempre pautou todas as demais em curso na antiga Vila do Fanado e em todos os momentos da história do município de Minas Novas, desde a época colonial e, mais acentuadamente, com o advento da república, sob a influência dos coronéis de patente comprada da Guarda Nacional. Dessa forma, instalou-se um tempo que ficou conhecido como “carrancismo” e até bem pouco tempo nenhuma eleição ocorrida na Comarca de Minas Novas foi totalmente isenta de corrupção e outras irregularidades, principalmente para a escolha de prefeito municipal. Uma eleição municipal famosa foi a de 1946, entre o advogado Dr. Geraldo Magela Barbosa e o farmacêutico Lauro Machado, em que esse último candidato, que era morador do então distrito de Turmalina, onde militava na oposição aos interesses da família Badaró, apesar de ter recebido expressiva votação majoritária, teve seu nome derrotado em razão de manipulação dos votos durante uma apuração tumultuada e escandalosa que demorou várias semanas, comandada pelo juiz eleitoral Pedro Anísio Maia. No início da década de 1970 foi a vez do candidato Dário Magalhães ter sido derrotado por José Geraldo Camargos, para um mandato tampão, quando a eleição foi claramente feita sobre as mesas do antigo teatro municipal, sob o comando do juiz eleitoral corrupto vindo de Itamarandiba, exclusivamente com esta missão. Depois foi a vez do candidato José Evangelista Chagas (Zé Branco) um simples oficial de justiça que desafiou o chefe político local, se lançou candidato pela oposição (Arena-II) contra Altamiro Sena (Arena I) apoiado pelos Badarós, cuja apuração dos votos, também, foi flagrantemente alterada no Cartório Eleitoral, conforme, anos depois, a própria juíza que presidiu os trabalhos veio a admitir. Algum tempo depois foi a vez do candidato Felipe Mota que foi injustamente derrotado por Murilo Badaró, depois de uma vergonhosa campanha eleitoral em que ficaram comprovadas várias irregularidades e corrupção eleitoral como propaganda de rádio extemporânea, abuso de poder econômico e de compra deslavada de votos, tudo sob o comando de um jovem juiz devidamente amestrado e cooptado para viabilizar as eleições a favor do ex-senador biônico, em troca de uma promoção que logo depois veio a se confirmar.

A FAMOSA SAPUCAIEIRA DE MINAS NOVAS

  



RUA DAS PRETAS FORRAS

A Rua das Pretas Forras tem um único quarteirão, ou melhor, é uma rua bem curta que começa na Quintino Bocaiuva, desembocando-se na Praça Benedito Valadares, logradouro mais conhecido como Largo da Cadeia.

Esse logradouro tem pouco mais de uma dezena de casas baixas e muito antigas, onde moraram várias famílias de ex-escravos, como a da "sinhá" Etelvina do Mirante, que conheci já bem idosa nos anos cinquenta, a qual liderava uma casa cheia de filhas e netas, todas dedicadas aos trabalhos de fiadeiras, tecelãs, bordadeiras e, principalmente, a Antônia, de todas a melhor doceira que, pelas ruas da cidade, vendia merendês, ambrosias e o doce de leite pastoso dos quais nunca, além deles, provei  outros iguais em toda minha vida.

Lembro-me muito bem, passando por ali, da profusão de fusos, das rocas, das almofadas de bilros, dos imensos bastidores de crivo, dos teares de pedal e dos coloridos novelos de pavios que rolavam pelas calçadas, aguardando a vez de se transformarem em cobertas, mantas e tapetes.

Aquela rua, além do cenário de intensa atividade artesanal ali desenvolvida pelas moradoras, era também  a lúgubre passarela por onde, invariavelmente, aquelas moradores assistiam ao triste desfile dos presos, que escoltados, algemados ou amarrados que nem animais destinados ao corte, eram conduzidos para as prisões que ainda hoje existem na famosa cadeia da velha comarca.

E eram aquelas humildes e  boas mulheres, que moravam e trabalhavam nessa rua que, às vezes, se intercediam em socorro de algum infeliz, implorando a favor deles, pedindo, e até mesmo se arremessando contra os soldados, na tentativa de impedir torturas e espancamentos.

Também eram elas que se dirigiam, correndo aflitas às casas dos parentes, para informar aos inocentes familiares sobre a prisão de  algum ente querido, eventualmente envolvido em bebedeiras, em escaramuças, pândegas e outras enrascadas por eles cometidas durante à noite, lá na rua do Fogo ou num dos mocós da Mil e Quarenta.

A cadeia de Minas Novas era o único estabelecimento prisional, em toda região, que recebia presos, condenados ou não, oriundos de todas as comunidades do imenso termo judicial. E ali o regime era duro, onde os presos não tinham boa vida como hoje, sendo todos submetidos ao rigoroso regime em que eram obrigados a cuidar dos serviços de limpeza, não só das imundices daquele tugúrio, entre elas as de suas próprias celas, mas, também dos demais infelizes que ali eram recolhidos. E mesmo aqueles presos que não ofereciam periculosidade, durante o turno do dia, eram encaminhados, sob vigilância da escolta policial, para cuidarem dos logradores públicos, capinando ruas, recolhendo lixo e muitos deles, que se consideravam até privilegiados, para prestarem serviços gratuitos a particulares nos quintais das casas de famílias que os compensavam com sobras de comidas, restos de roupas, agasalhos e outros míseros benefícios.

Como na cidade não havia serviço de água canalizada e nem existia, mesmo na cadeia, qualquer vaso sanitário, diariamente aqueles presos mais perigosos, ou os fujões e os desobedientes, eram todos obrigados a seguirem a pé, sempre acorrentados uns aos outros, até à barra do Ribeirão Bonsucesso, conduzindo na cabeça os potes de barro, onde os companheiros, durante a noite, faziam suas necessidades fisiológicas e, depois da própria higienização corporal e da completa limpeza daquele fétido vasilhame, para nele trazerem água para o irrigamento da horta e do bem cuidado jardim que havia na referida praça Rio Branco.
 
Devido a esse rigor, nessa época o índice de criminalidade na comarca era relativamente baixo e, quase sempre, era com o maior pavor que se deparavam aqueles que, por alguma razão legal, para ali eram encaminhados.

Era terrível a fama da cadeia de Minas Novas onde, a exemplo do que sempre acontece, eram punidos os criminosos de origem humilde, pois o braço da Lei jamais alcançava os privilegiados da sociedade, protegidos pelos coronéis de patente comprada na Guarda Nacional.

E assim, mesmo os presos mais valentões, os mais irresponsáveis e os incautos, todos tremiam de medo principalmente quando, debatendo-se, ao passarem pela rua das Pretas Forras descortinavam lá do outro lado do largo o austero e temido casarão, em estilo clássico, tendo ao fundo a centenária e frondosa Sapucaieira.

Os moradores daquela rua já eram acostumados com as tétricas procissões, dos gritos de dor dos conduzidos e dos comoventes apelos de clemência de populares e familiares.

Um fato, porém, marca a lembrança, ainda hoje muito viva, principalmente de muitos como eu que presenciei uma parte de sua prisão: Surgiu na região do Setúbal um temido bandoleiro, atrevido e violento que desafiava a todos, desrespeitando às famílias e colocando em pânico a população, inquietando toda sociedade. A fama desse arruaceiro se espalhara e até mesmo os policiais já se sentiam amedrontados, tantas eram as notícias das aprontações e peripécias desse indivíduo. E foram várias as tentativas, em muitas diligências, com o objetivo de captura desse malandro, que já se gabava de ser ligeiro, liso, respeitado e perigoso.

O destacamento, então, era composto de sete policiais a pé, armados de fuzis e baionetas caladas, comandados pelo sargento José Leão, rigoroso militar que, de imediato, convocou a sua pequena tropa, reuniu-os no pátio da cadeia, quando distribuiu aos cinco soldados as armas e as munições, encarregando ao cabo Pedro de Cirilo que,  juntamente do carcereiro Antônio Domingos e do delegado "calças-curtas" Raul Marcolino, de se encarregarem da vigilância da cadeia e da segurança geral da cidade, e assim providenciado, partiu a diligência para a região do Rio Setúbal.

E seguiu, destemido, à frente dos seus soldados Zé de André, Joãozinho Preto, José de Figueiredo, João Moura e Serafim Abreu, todos muito apreensivos, sob a maior expectativa dos que ficaram, para cumprirem o mandado de prisão, lá no povoado de Baixa Quente, de onde deveriam, de qualquer forma, capturar o biltre que estava desafiando o poder judicial da comarca.

Chegando ao destino, lá pegaram o maganão, em flagrante, depois de um quebra-quebra que o bandido havia promovido na venda de Quincas Fogueteiro, este comerciante um homem pacato que teve de se refugiar no mato, lá na beira do Córrego do Ouro, durante toda a noite com sua família, todos ameaçados de morte e em completa polvorosa.

João Moura, jovem soldado que sempre foi muito corajoso e bem treinado, desde os tempos em que se ingressou nas fileiras do Exército, lá no seu estado natal da Paraíba, de onde veio, depois,  para se casar e que aqui em Minas Novas resolveu se alistar na gloriosa Polícia Militar, já sabendo manejar bem suas armas e principalamente o seu laço, conhecimentos que o permitiram dominar e prender o tal valentão, colocando-lhe uma peia e uma algema. 

E foi assim desta forma que, com a ajuda dos demais praças, apaziguaram-se as comunidades do Setúbal, Granjas e Crizomja e retornaram, naquele mesmo dia à sede conduzindo o delinquente  atrevido, já subjugado, devidamente amarrado como um boi bravo, levando-o em direção do presídio, quase que arrastado, tamanha era a sua resistência.

E seguia aquele comboio de policiais, pela estrada, tendo à frente o garboso sargento e o festejado praça João Moura, segurando a ponta da corda, este que passou a ser, a partir daquela data, a personificação do respeito, a garantia da ordem e o prestígio da segurança pública local.

Já, na cidade, as ruas desde a Gruta até à Barra, a agitação tomou conta, todos correndo de um lado para outro, para ver melhor o momento da chegada do preso. A multidão se acotovelava, próxima à cadeia, para assistir à chegada do temeroso bandido.

O cortejo tão esperado foi descendo rua abaixo, passando pelo Rosário, depois pela rua Direita, pelo Largo das Cavalhadas e, chegando no início das Pretas Forras, ali o preso endureceu e se empacou tão-logo viu, à sua frente, a tal cadeia e este, apavorado com o que lhe esperava,  agindo num ímpeto de fúria e de último esforço, mesmo todo amarrado e algemado, das peias se desvencilhou e se investiu sobre o soldado Zé de Figueiredo e conseguiu arrancar-lhe a baioneta, aplicando-a imediatamente em sua própria barriga, despejando naquelas ruas empoeiradas as suas entranhas e caindo sobre a poça formada com o sangue que jorrava aos borbotões daquela terrível sangria.

E o valentão do Brinco, esse era seu apelido, mais nunca brincou com a lei.

Não chegou a ser colocado na cadeia, como todos do município queriam vê-lo, tendo preferido ficar eternamente preso em uma cova rasa que lhe fora preparada na calçada, pelo lado de fora do cemitério da cidade, pois lá na Baixa-Quente os moradores não quiseram recebê-lo nem depois de morto.

E tudo voltou, na maior paz e calmaria, com a velha rotina da pacata cidade!

A velha sapucaiaeira sempre foi muito admirada, quando florida; mas, por várias oportunidades fez valer a fama de servir de sombra para as tenebrosas celas daquele prédio tão bonito por fora, mas tão lúgubre pelos seus corredores.

Fatos relacionados a esse lugar, me lembra de famosos presos, como o amigo DÉ CHINA, ainda de seu tempo de lambanças, carraspanas e esbórnias, lá em Minas Novas, é que quase todo final de semana ele era preso, recolhido ao SOLAR DA SAPUCAIEIRA. Certa vez ele chegou à sua cela costumeira e, logo que ele se instalou, imediatamente chamou o carcereiro e lhe deu a maior bronca, querendo saber quem é que estava ocupando o seu prego, lugar tradicional em que pendurava o seu boné, alegando usurpação de propriedade particular e de seus direitos adquiridos.

DOGA era outro preso "gente boa", cuja fama de bandoleiro decorria da esperteza de sua patroa, a saudosa "Dona Valça, como uma de suas estratégias na defesa de suas imensas glebas na região da Baixa Quente. Depois de preso e engaiolado debaixo da Sapucaia, o velho galo virou galinha e piava baixo perto de Mané Pepino.

Baltazar, negro, analfabeto, pobre e idoso, ficou preso, sem culpa formada, sem advogado e sem julgamento, por mais de 10 anos ocupando uma cela na Sapucaieira. Quando, enfim, levaram-no perante a MM. Juíza, Drª. Maria Celeste Porto Teixeira, ao ser  interrogado, na forma da lei mas em palavras que ele pudesse entender, lhe foi perguntado se tinha ciência sobre os fatos delituosos a ele imputados, ao que ele disse nada saber, mas que estava muito satisfeito no lugar onde estava arranchado e que os "mininos", referindo-se aos soldados, eram com ele muito bondosos. A magistrada, imediatamente certificou-se de que estava diante de uma dilemática situação e determinou que o colocassem em liberdade, pois o caso deveria ser resolvido pelas esferas da psiquiatria; O preso, porém, vendo-se livre indignou-se e passou a protestar pela sua volta ao presídio, querendo saber onde ele receberia, de graça, um prato de comida. E saiu do Fórum, sem escoltas, apresentando-se novamente ao carcereiro Antônio Domingos, a quem chamava de "padrinho", pedia a bênção e lhe beijava as mãos.

Quando aconteceu o TERCEIRO FESTIVALE, que foi organizado no Largo das Cavalhadas, em Minas Novas, os presos, lá da Sapucaieira, que fica próxima, puderam ouvir as canções classificadas; Entre os presos estava MANÉ PEPINO, que era o "cão chupando manga", mas um incrível repentista e violeiro. E este, que já havia conquistado a amizade do delegado, Dr. Potiguara, solicitou e foi atendido no seu desejo de se apresentar no palco do festival. E o sucesso foi tamanho que seu "show" quase que inviabilizou o julgamento final do certame, cujos jurados queriam premiá-lo, mesmo que não tivesse devidamente inscrito.

BATALZAR, que nunca concordou com a possibilidade de viver em  liberdade, longe da sua aprazível Sapucaieira, ali ele era muito querido pelos demais companheiros de prisão que o encarregavam pela  limpeza, de cozinhar, de dar recados e de fazer compras no comércio, missão que ele cumpria a rigor, ao ponto de, muitas das vezes, o próprio carcereiro deixar com ele as chaves da cadeia, quando era obrigado a permanecer naqueles locais mais agradáveis que eram as vendas e os botecos. Diariamente, depois de cumpridas suas “obrigações diárias”, o referido preso tomava seu banho, vestia um velho paletó escuro, calçava suas surradas botas e seguia, à tardezinha, para a Igreja do Amparo, onde assistia religiosamente a Missa do Padre Emiliano, quando também comungava e depois voltava para a Sapucaieira, onde jantava a sua marmita que ficava lhe aguardando. Nesse tempo, já não era mais a juíza Dr. Maria Celeste, mas o Dr. Alvanato Almeida que, sendo também fidelíssimo católico, também não perdia uma missa do Padre Emiliano, às vezes se assentando no mesmo banco e ao lado do Batalzar, com quem foi-se afeiçoando. 


Numa Festa de Santos Reis, o bondoso vigário estava pregando sobre os Três Reis Magos, BALTAZAR, GASPAR E MELCHIOR e lembrou aos fiéis que justamente o Baltazar, embora sua nobreza, era um cidadão negro, assim como ele próprio e também o delegado Dr. Portiguara, mas que o Menino Jesus, na sua inocência, eterna bondade e justiça, não fazia distinção de cor e de qualquer outra diferença entres as pessoas e, assim, foi discorrendo sobre muitas outras coisas bonitas que maravilharam as ideias do pobre do Batalzar. 

Terminada a missa e já saindo da igreja, o preso abordou o juiz e lhe disse que iria ao fórum para que lhe fosse nomeado um advogado dativo. O Dr. Alvanato, logo imaginou que, finalmente, o preso iria requerer sua soltura. Contudo, no dia seguinte, foi nomeado o Dr. Zezito Coelho que o chamou ao escritório para que pudessem fazer a petição, quando ficou sabendo que o desejo do preso não era ver-se liberto, mas, sim, com o nome devidamente corrigido, pois o Padre Emiliano assim o havia aconselhado. E ambos, advogado e cliente, dirigiram-se ao Cartório de Tião Barbosa para fazer o correto registro do nome de BATALZAR, que passou a assinar, com muita dificuldade, o nome de batismo que era BALTAZAR DOMINGO REIS, nascido em 06 de janeiro de 1916, o qual, se fosse vivo, teria completado 100 ANOS de idade.



 

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