domingo, 12 de julho de 2015

ARTE E RELIGIOSIDADE POPULAR




ARTE E RELIGIOSIDADE POPULAR

(Lalau Mota)

A arte e a religiosidade popular estão na alma da gente simples, no cotidiano dos que vivem no morro, no campo, na roça, nos aglomerados urbanos e nas periferias. São dois atributos naturais que brotam de dentro de cada um de nós, espontaneamente, naturalmente, como a água límpida da fonte que rola pelos regatos da vida, sem muito compromisso, quando esse líquido vital segue livre dizendo de sua fé, de sua esperança, da sua dor, de sua vontade de vencer e de chegar a algum lugar e o faz com muito mais intensidade e realismo, na sua imensa alegria de viver, mesmo diante das desigualdades, das injustiças e dos sofrimentos. Afinal, arte, para ser apreciável, tem de ser o fiel retrato da vida. E a vida é um dom que Deus concedeu, não somente às pessoas simples, mas também às pessoas mais instruídas e com melhores oportunidades sociais que precisam externar seus sentimentos, angústias e satisfações e nem sempre se deixam enamorar por coisas simples, singelas e delicadas. Não digo que estas pessoas, por serem mais aquinhoadas pela sorte, mesmo que mais exigentes, sejam elas mais cultas que aquelas, de vez que cultura é um vocábulo que cabe muitas interpretações e variados sentidos. Para mim o que importa, porém, no mundo da arte, nem sempre é a autoria, mas a mensagem que fica ou que leva em seu curso, assim como a água natural e pura que segue o seu destino sem qualquer necessidade de uma marca ou de explicar de onde vem e para onde vai. A arte, portanto, é expressão não só do “belo” mas, acima de tudo, da liberdade e do direito que todos nós temos de expressar tudo o que vai em nossa ALMA.
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Nos últimos tempos, para a nossa felicidade, a Arte Popular tem alcançado posições de destaque que antes era privilégio da obra clássica, tradicional, bem enquadrada e rebuscada ou aquelas reservadas às produções encomendadas -quase sempre de gosto duvidoso ou incompreensível- mas que a crítica movida pela pecúnia lhe incensava e lhe concedia os créditos necessários para o alcance do sucesso mercantilizado, com suas curadorias e recomendações ditas “abalizadas e especializadas”.  E com essa providencial conquista, ganham todos os verdadeiros artistas e também o próprio mercado que se renova e se realimenta da arte, de vez que, a cada dia, sem sofrer o efeito da banalização, pelo contrário, se fortalecendo com o surgimento de novas possibilidades, em diferentes suportes e tendências, a arte se torna melhor, mais democrática e valorizada de forma justa e agradável.

Tem sido assim, aqui em Belo Horizonte, uma metrópole que se afirma como uma das capitais que, atualmente, mais cresce no sentido de oferecer espaços bem estruturados, diversificados e dignos para incentivar todas as artes e mostrá-las, com a pujança do sentimento mineiro. na sua inconfundível capacidade criativa de sentir, de observar, de pensar e de se expressar com as mãos, com a voz e, sobretudo, com essa magia, com a qual o povo montanhês, muito mais que qualquer outro povo, é capaz de administrar com o coração e mente no compasso do Amor, da Beleza e da Justiça.]
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Neste espaço pretendo publicar algumas ideias, de minha humilde observação – embora leigo nessa seara – que espero poder contribuir no sentido de serem utilizadas como um roteiro artístico para aqueles que, de alguma forma, não têm tido a oportunidade ou a motivação de visitar museus, galerias e teatros.

Hoje vou dedicar meu tempo a duas importantes figuras de nosso cenário cultural. Uma delas – por demais conhecida pelos mineiros - é um homem dedicado às letras, das melhores que conheço, que é o escritor e jornalista OLAVO ROMANO, atual presidente da Academia Mineira de Letras. O outro, que ainda só o conheço pela belíssima arte, é o artista plástico CLÁUDIO ROCHA OLIVEIRA, os quais, muito sabiamente uniram seus esforços de verdadeiros mestres para nos brindar com essa expressiva e emocionante combinação de cores, poesia e fé:






sexta-feira, 10 de julho de 2015

DEUS ESCREVE CERTO EM LINHAS TORTAS


A Mão da Divina Providência

Eu conheci e tive a felicidade de com ele conviver por muitos anos, a figura saudosa de uma pessoa muito simples, parente distante, ótimo pai de família e um amigo de todas as horas e também vizinho da casa de minha mãe, de quem nunca me esqueço, em razão dos diversos momentos que compartilhamos, e que a respeito dele quero deixar alguns depoimentos, para melhor entender sua história de um grande cidadão. 

Em Minas Novas, era ele um oficial de justiça que, como a maioria dos homens do lugar, fumava muito. E ele, esse meu amigo, fumava mais ainda, descontroladamente, fazendo seu fedorento cigarro de fumo “banzé” com qualquer pedaço de palha que encontrava mais fácil. Certa vez, não encontrando palha alguma para fazer o seu "pito", ele enrolou o fumo picadinho num pedaço de um papel. Esse papel, porém, era um precioso documento, era um mandado de reintegração de posse que ele, juntamente com o "oficial companheiro", sob escolta armada de uma reforçada guarnição militar, já na adiantada diligência, deveria dar o seu cumprimento, com todas as formalidades legais, num lugar distante dentro daquela imensa jurisdição, quase do tamanho do Estado, num local da comarca onde estavam lhe aguardando vários advogados e até mesmo um diretor da ACESITA ENERGÉTICA, tamanha era a expectativa de verem terminada a insidiosa ação pública. A reintegração acabou sendo adiada por falta do dito instrumento judicial que, em razão daquele incidente que muitos consideraram como relapso e criminoso, parte virou cinzas, outra parte virou fumaça e todas as partes envolvidas ficaram a "ver navios".

De tal ato, em que o oficial passou a responder por processo administrativo e no qual foi severamente repreendido, dessa punição logo ficou ele livre em razão de uma nova decisão judicial que considerou como ‘VICIADOS” todos os ATOS e julgamentos anteriormente praticados naqueles autos judiciais, resultando, finalmente, em benefício a favor de muitos roceiros que seriam injustamente despejados. Na reforma da sentença, que foi exarada por um novo magistrado, competente, honesto, mais justo que o venal BEL Afanado, afinal o novo juiz era um BACHAREL, este sim com grafado com letras maiúsculas, por que não era cooptado pelas empresas reflorestadoras, de forma muito acertada entendeu que aquela ação, assim como muitas outras que beneficiavam apenas as partes mais poderosas, não poderiam, como de fato esta não prosperou, merecer o "pálio" da LEI. 

Este fato mereceu meus aplausos e eu, naquela oportunidade, tive a ventura de me encaminhar ao ilustre JUIZ e lhe apertar efusivamente as mãos, sob o olhar desaprovador de muitos serventuários e advogados que ainda hoje continuam sua militância naquele fórum de Minas Novas, que, pela primeira vez viram a frustração de seus interesses mesquinhos, sempre em detrimento das partes fracas e oprimidas. 

ZÉ BRANCO, esse era o oficial de justiça de quem me refiro, não sei se assim agiu deliberadamente, premido pelo força de seu vício de fumar desbravadamente ou, quiçá, tenha sido movido por uma força poderosa, bem maior que a da justiça terrena, aquela que, por linhas travessas, de fato encaminha todas as pessoas de bom espírito e bom coração em direção do que é CERTO E JUSTO. 

Talvez essa resposta possa ser dada pelo nosso amigo Heraldo Wilton, que como um dos mais competentes, eficientes e exemplares serventuários da Justiça em nossa comarca, alguma coisa deve ele saber a respeito deste fato, no qual acredito não haver qualquer gravame como sigiloso, dado o passar de tanto tempo em que tal foi ocorrido.
 

quinta-feira, 9 de julho de 2015

PROJETO PUC-MINAS - CAMPUS EM MINAS NOVAS - INVIABILIZADO POR QUESTÕES POLÍTICAS




Tive a honra e a oportunidade de ter conversado com o Cardeal DOM SERAFIM FERNANDES DE ARAUJO, Arcebispo Emérito de Belo Horizonte, em um encontro eventual que tivemos na maravilhosa Igreja de Santa Luzia, próxima de onde moro, aqui na Capital Mineira, logo depois da Santa Missa que ele acabava de celebrar naquele festivo dia 13 de dezembro de 2008, em que se comemorava a Milagrosa Santa que é Padroeira da Paróquia de nosso Bairro. Entre amenidades e boas recordações dele, em relação à nossa terra Natal, Minas Novas, onde ele sempre comparece durante os festejos de Nossa Senhora do Rosário, ele me segredou que uma de suas poucas frustrações na vida, como cidadão, é justamente a de não ter conseguido a tão desejada implantação de um CAMPUS avançado da PUC-Minas, em nosso município, por razões que ele mesmo desconhecia, mas que tomou conhecimento somente depois de que o projeto já estava inviabilizado e ele, a essa altura, já não era mais reitor daquela conceituada universidade. Disse-me ele, contudo, que não estavam perdidas as esperanças e que, mesmo sem estar mais com o poder de decisão, continuaria fazendo suas orações e se esforçando, pessoalmente, no sentido de ver realizado esse acalantado sonho, o qual, certamente, estaria muito mais sob a dependência dos interesses políticos que envolviam todo aquele processo.

Passados alguns dias, movido pelo natural interesse de melhor me informar, conhecer e também para saber em que níveis de negociação estavam todo aquele projeto, infelizmente fui surpreendido com a informação de que até mesmo o terreno, antes disponibilizado para as construções e instalações do CAMPUS, cujas escrituras públicas já se encontravam registradas, estas estavam sendo anuladas, após a decisão do conselho curador de oficialmente devolvê-lo à municipalidade, em razão da falta de interesse das autoridades e das lideranças políticas, de então, que não se manifestaram ou, simplesmente, se omitiram quanto à apresentação das contrapartidas que antes estavam acertadas entre as partes.

Tal revelação me pareceu absurda e fiquei ainda mais perplexo ao conhecer os estudos da viabilidade de implantação do projeto, pareceres técnicos, assim como as diversas planilhas, orçamentos e plantas-baixas, inclusive a maquete do prédio que deveria abrigar a administração e as salas de aula, tudo, realmente, demonstrando um projeto espetacular e que seria, sem dúvida, uma das maiores realizações na nossa história, quase que tricentenária, nos moldes idênticos das que já estavam em andamento e que hoje já estão em pleno funcionamento, que contemplaram a cidade do Serro, Arcos e Guanhães, sendo que nesta última cidade, a instalação se deu em razão dos esforços do ilustre filho da região, com a qual tinha estreitas afinidades, o saudoso professor Padre Geraldo Magela Teixeira, então membro do colegiado da PUC-MG.

Confesso que chorei copiosamente, com o coração traspassado de uma dor que não sei descrever, tamanha foi minha decepção com a postura de um prefeito, pela maioria de nossos conterrâneos considerado tão importante e poderoso, mas que na mesma proporção, para mim se configurava, naquele momento, como irresponsável e desprezível com aquela atitude assumida de menosprezar um projeto daquela magnitude, tão somente movido por interesses particulares, dentre eles o de não permitir que a PUC viesse a substituir os cursos então mantidos na região pela UNIPAC, de propriedade de outro político da mesma facção partidária, dando preferência a esta universidade, embora reconhecidamente uma instituição de ensino de menor potencial para contribuir com o progresso de Minas Novas, de forma favorável aos alunos, sob o ponte de vista econômico, efetivo e da oferta de opções variadas de cursos, com a melhor qualidade acadêmica. 

A implantação da PUC em Minas Novas, sendo um sonho do nosso mais ilustre conterrâneo, talvez algum dia ainda venha a se tornar uma feliz realidade, quiçá, em razão de algum milagre produzido por um Santo, não da Igreja, mas um que seja mais poderoso no universo de nossa POLÍTICA. 

Da minha parte, porém, mesmo que também sonhe com muita intensidade com um benefício desse porte, não vejo muito empenho nas lideranças de agora, da mesma forma como aconteceu com aqueles ditos administradores da época em que o projeto não mereceu a devida atenção e favorável encaminhamento. INFELIZMENTE esta é a realidade de um dos municípios mais velhos e mais carentes, não só do VALE DO JEQUTINHONHA, mas de todo o Estado de Minas Gerais, de tantas grandezas, tradições e valores, mais uma vez ludibriado, vilipendiado, explorado e espoliado por POLÍTICOS MESQUINHOS, INIMIGOS DO NOSSO POVO E DA NOSSA GENTE.

Atualmente a PUC está presente nos seguintes locais, com seus CAMPI em pleno funcionamento, com diversos cursos superiores e milhares de alunos recebendo os benefícios de um padrão de ensino invejável, enquanto nosso município, que estava para ser contemplado com projeto idêntico, juntamente com SERRO, GUANHÃES e ARCOS, continua com sua população jovem sem qualquer expectativa de acesso a cursos regulares e de boa qualidade, em nossa humilde, idosa e decrépita cidadezinha.

PUC-MINAS – EM MINAS GERAIS

• PMG- PUC Coração Eucarístico
• PSG - PUC São Gabriel
• PCO - PUC Contagem
• PPC - PUC Poços de Caldas
• PBE - PUC Betim
• PAR - PUC Arcos
• PGH - PUC Guanhães
• PBR - PUC Barreiro

•
PSR - PUC Serro


 

quarta-feira, 8 de julho de 2015

UAB - UNIMONTES




Com o objetivo de democratizar as possibilidades de acesso para todos os interessados, o Ministério da Educação (MEC), por meio da Secretaria de Educação a Distância (SEED) e da Capes, tornou público o Edital de Seleção nº 01/2006-SEED/MEC/2006/2007, permitindo a participação dos municípios e das universidades públicas interessadas.

O resultado desse processo, publicado no Diário Oficial da União, em 20 de maio de 2008, conferiu à Unimontes a responsabilidade para oferecer os Cursos de Licenciatura em Artes Visuais, Ciências Biológicas, Ciências Sociais, Geografia, História, Letras/Espanhol, Letras/Inglês, Letras/Português e Pedagogia. Os polos de apoio presencial selecionados para oferta desses cursos foram os seguintes: Almenara, Buritizeiro, Carlos Chagas, Cristália, Francisco Sá, Itamarandiba, Janaúba, Januária, Lagoa Santa, Mantena, Pedra Azul, Pompéu, São João da Ponte e Urucuia.

Na extensão da UAB são oferecidos seis cursos: Educaçâo do Campo, Educação na Diversidade e Cidadania, Gênero e Diversidade na Escola, Relaçôes Étnico-Raciais, Educação Integral Integrada e o EJA - Possibilidades para Educar na Diversidade.
Unimontes vai ampliar cursos a distância dentro do Programa UAB

A Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) vai ampliar a oferta de cursos de graduação ministrados no modelo a distância, dentro da proposta da Universidade Aberta do Brasil (UAB), desenvolvida em parceria com a Coordenadoria de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), do Ministério da Educação (MEC).
O anuncio foi feito pelo reitor da Unimontes, professor João dos Reis Canela, durante o 1º Encontro Regional de Articulação “Unimontes/Municípios – Oferta de cursos UAB”, realizado nesta sexta-feira (8/03), na sede da universidade.
O evento aconteceu no auditório Mário Ribeiro da Silveira (prédio 6), no campus-sede, e contou com a participação de prefeitos e secretários de Educação dos municípios da área de abrangência da Unimontes. A reunião contou também com a presença da vice-reitora da Unimontes, Maria Ivete Soares de Almeida, do coordenador geral de Inovação em Educação a Distância da Capes/MEC, Jean Marc Georges Mutzig, que proferiu palestra sobre o programa.
De acordo com o reitor, em seu pronunciamento, a Universidade criará novos cursos de graduação a distância, levando em conta as demandas dos municípios. Atualmente, a Universidade responde por 21 pólos do ensino a distancia no programa da UAB nas regiões Norte, Leste e Centro do Estado, além dos Vales do Jequitinhonha e do Mucuri. As atividades no âmbito da Unimontes são coordenadas pelo Centro de Educação a Distância (CEAD).
4 MIL ALUNOS A DISTANCIA
Ao abrir os trabalhos, o reitor João Canela destacou os avanços alcançados pela Universidade na educação a distância, especialmente, no âmbito da UAB. Lembrou que a Unimontes já soma 4.095 alunos matriculados nos cursos oferecidos no modelo a distância. “Estamos construindo uma plataforma para duplicar as nossas ações na educação a distância”, afirmou o reitor, ressaltando que a competência e qualidade da universidade foi reconhecida pela CAPES e pelo ministro da Educação, Aluízio Mercadante.


Coordenadora de projetos do CEAD/Unimontes, a professora Maria Ângela Lopes Dumont de Macedo, enfatizou que os municípios deverão encaminhar à universidade os pedidos dos cursos que atendam às demandas das comunidades locais. Deverão ser criados cursos a distância que fazem parte dos cursos de graduação de licenciatura – modelo presencial – já ministrados pela Instituição. Maria Ângela citou os cursos de licenciatura de Artes Visuais, Ciências Biológicas, Ciências Sociais, Educação Física, Geografia, História, Letras/Espanhol, Letras/Inglês, Letras/Português e Pedagogia.

“Os municípios que reivindicarem a implantação de novos pólos dos cursos da UAB deverão oferecer infraestrutura necessária para isso”, acrescentou Maria Ângela. Conforme material explicativo distribuído durante o Encontro, a infraestrutura inclui salas de coordenação, espaço para reuniões, laboratório de informática e biblioteca. Também devem ser disponibilizados espaços acadêmicos, destacando sala multiuso (tutoria e videoconferência, entre outros fins).

Coordenadora de projetos do CEAD/Unimontes, professora Maria Ângela Lopes Dumont de Macedo explicou como deve ser os pedidos dos cursos
INOVAÇÃO E EDUCAÇÃO – O coordenador geral de Inovação em Educação a Distância da Capes, Jean Marc Georges, ponderou sobre o crescimento da Universidade Aberta do Brasil (UAB), ressaltando que hoje já são oferecidos mais de mil cursos a distância dentro do programa em todo o País.

Ele também destacou que a meta é criar novos cursos a distância, considerando as vocações econômicas das cidades. “A proposta é criar cursos que permitam o acesso das pessoas a uma graduação, e que elas tenham a oportunidade de trabalhar em seus próprios municípios de origem, sem ter que migrar para outras regiões”, finalizou Jean Marc.
 

sexta-feira, 3 de julho de 2015

ANÁLISE DE UMA CRISE QUE SE REPETE



Jornalista sem diploma que sou, além do fato de ser auto-ditada (pois cursei apenas o ensino fundamental do antigo Ginásio Minas Novas), foi a partir da firme base adquirida naquele saudoso educandário que aprendi o pouco que hoje sei, mas foi, também, através da leitura constante de bons livros, de bons autores e, principalmente, de textos escritos por bons jornalistas que hoje arrisco a me aventurar como Blogueiro. É que sempre tive o hábito de ler e ainda tenho a mania de guardar os livros (que sempre compro e nunca os tomo emprestado!) contendo as anotações que faço à mão em cujas margens, ou em tirinhas de papel que ficam marcando a página, assim como fazer recortes de jornais e revistas (costume que conservo e que, além de muito trabalho, custa-me dinheiro, ocupa-me tempo, entope arquivos e gavetas e me rende muito xingamento da minha esposa que gosta de ver tudo muito bem arrumadinho, mesmo no meu “quartinho da bagunça”, antiga DCE, onde não cabem mais prateleiras). 
Atualmente estou às voltas com o desafio de digitalizar todo o acervo de recortes das publicações que, durante mais de 50 anos, li em folhetos, em jornais e em revistas, tudo que vou pacientemente catalogando por autor, por data e por assunto, num árduo trabalho que me permitirá o acesso rápido, quando eu precisar de alguma informação e não encontrá-la no Google, o que, aliás, atualmente é caso raro de acontecer, principalmente quando se tem as manhas de buscas pela internet através dos instrumentos adequados, além de contar com uma boa disponibilidade de banda-larga, de memórias e de drives externos. Contudo, para quem tem um pouco da “síndrome de acumulador de bugigangas”, não deixa de ser um grande martírio ter que se desfazer dos originais. 
E essa mania, que acredito ser o tormento de muitos leitores, não me permite o contentamento em ler os livros digitalizados (e-book), mesmo que os lendo, ainda assim, obriga-me a adquirir um exemplar impresso, com a finalidade de sentir o prazer de ter aquela obra literária nas mãos e naquele volume fazer os “rabiscos” que bem desejar. Morando em apartamento, onde os espaços são limitados, logo serei obrigado a providenciar outro local para conservar meus livros, enciclopédias, dicionários, álbuns e arquivos físicos, o que, para mim, será um grande tormento, vê-los distantes e sob o cuidado de terceiros. 
Creio que essa síndrome deva ter cura, mas no momento não me ocorre procurá-la, até por que esta acaba sendo uma atividade prazerosa a preencher minhas horas de aposentado.
A propósito do que acima expus, deparei-me hoje com o texto que adiante publico, uma obra-prima do saudoso mestre LUÍS AURELIANO, brilhante jornalista e cientista político que faleceu em março/2013, com apenas 67 anos de idade, mas deixando um invejável legado para todos que sabem apreciar as boas letras e o bom jornalismo. 

Luis Aureliano Gama de Andrade era PhD pela University of Michigan, foi presidente da Fundação João Pinheiro e professor do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Consultor de políticas públicas e planejamento da OEA, do BID e do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), foi também autor de diversas publicações sobre educação, planejamento, desenvolvimento e modernização da administração pública.
A matéria que se segue, apesar de publicada há mais de 10 anos, reflete com clareza cristalina toda a sabedoria desse jornalista que, como ninguém, sabia analisar os fatos daquela época, de forma cirúrgica, além de apontar com toda segurança as possíveis saídas para cada situação de conflito.
O tema continua muito atual e instigante. Porém, chama-nos a atenção o fato de que hoje, muito mais que naquela época, a CORRUPÇÃO que corrói a FIFA não é muito maior do que aquela que está liquidando com a PETROBRÁS e que está levando todo o Brasil para uma situação caótica sem precedentes,  aterrorizando o povo brasileiro que já não sabe a quem recorrer, pela falta de rumos e prumos em todos os TRÊS PODERES DA REPÚBLICA BRASILEIRA.

CONJUNTURA BRASIL – Luís Aureliano

Política e futebol
(Publicado no Jornal “O Tempo”, de 08.09.2001)

Maior que a crise que assola a política no Brasil é a que atinge o nosso futebol.  Antigamente, costumava-se dizer que dentro das quatro linhas do gramado o futebol brasileiro ia bem. Ruim, só do túnel pra dentro.
Hoje, esse julgamento precisaria ser atualizado: no futebol brasileiro, tudo vai de mal a pior, no campo e fora dele.
Mas não falemos de táticas e estratégia, da limitação dos jogadores, dos treinamentos e dos treinadores, que são assunto, aliás, apaixonantes. Falemos da organização política do futebol, causa determinante da maior parte dos males que nos afligem.
Os clubes, as federações e esse indefectível CBF (ou indefectível seria o seu presidente?) tornaram-se, em não poucos casos, meros instrumentos para enriquecer seus controladores. Cartolas desonestos ganharam poder nos grandes clubes e principalmente nas federações e nada lhes acontece. Vez por outra, algumas vozes se levantam nos clubes, questionam a lisura dos procedimentos de seus dirigentes.
Não é incomum que a acusação parte de alguém que já esteve no rolo e que depois foi excluído.
A corrupção e a desorganização andam de mãos dadas no futebol. Na política, há o “rouba, mas faz”; no futebol, não. Quem rouba, rouba, deixando atrás de si um clube (ou federação) arrasado, com dívidas, sem crédito e frequentemente sem time. Por quê?
Há que fazer distinções. Atlético, Corinthians e Flamengo parecem mais vulneráveis a essas administrações demolidoras, enquanto Cruzeiro e Palmeiras, por exemplo, parecem menos atingidos por esses males.
Suspeito que a causa de tudo isto – do caos e da corrupção no futebol – esteja no arranjo institucional de sua estrutura política e na divisão de forças políticas.
Os conselhos dos clubes são estruturas que eternizam e garantem o caráter oligárquico do jogo político nas agremiações de futebol. Os clubes sãos instituições públicas que lidam com grandes somas de dinheiro, e seus conselhos não estão aparelhados para exercer o controle que deles se espera.
O conselho seria um órgão de fiscalização e acompanhamento da administração do clube. Mas não é o que acontece. Seus membros são escolhidos entre os amigos dos diretores e do presidente. Há também os conselheiros natos ou eméritos, mas eles raramente levam a sério esse papel de fiscalização.
Quando a oposição não consegue fazer-se representada, os conselhos dos clubes tornam-se confrarias, onde faz número grande de membros e o time vai mal, inferniza a vida política dos que estão no poder.
É imprescindível democratizar o futebol, tanto os clubes quanto as federações. Talvez a saída seja dar voz às torcidas.

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LIVROS RECOMENDADOS

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  • IDAS E VINDAS - (Rosarinha Coelho)
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  • O DIA EM QUE O CAPETA DESCEU NA CIDADE DE MINAS NOVAS - (João Grilo do Meio do Fanado)
  • O MITO DO DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO - (Celso Furtado)
  • O NOME DA ROSA - (Umberto Eco)
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  • O SEGREDO É SER FELIZ - ROBERTO SHINYASHIKI

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