sábado, 30 de julho de 2016

HISTÓRIAS NÃO ESCRITAS DO BANCO DO BRASIL


RIVALIDADE ENTRE RELIGIÕES
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Mesmo nos dias atuais ainda é muito comum observar-se, principalmente nas pequenas comunidades, uma forte rivalidade entre líderes religiosos, de denominações diferentes, que tudo fazem no sentido de conquistar fieis para suas respectivas igrejas.
Em 1981 fui designado pelo Banco para prestar serviços no Posto Avançado que havia em Chapada do Norte-MG, sendo que, entre minhas atribuições, eu devia visitar as comunidades rurais daquele município, para a divulgação e a disseminação do crédito para custeio de lavouras aos pequenos produtores.
Para alcançar aqueles objetivos procurava sempre relacionar todas as lideranças, em cada localidade, identificando-as junto aos sindicatos, às associações, às escolas e às igrejas e, assim, marcávamos reuniões que coincidissem com seus eventos já programados, geralmente nos finais de semana que se transformavam em dias bem movimentados.
Certa vez fui procurado pelo delegado de polícia daquela pequena localidade que, para minha surpresa, solicitou-me que evitasse convidar, para aquelas reuniões, a figura de um líder comunitário que, segundo suas alegações, estava sendo inconveniente aos interesses sociais. Tratava-se, na verdade, de um dirigente escolar da comunidade de Cajamunum, o qual, até pouco tempo antes, era um fiel católico e que resolvera, de repente, converter-se para “a lei dos crentes”, sendo que naquele mesmo local havia a forte liderança de um cidadão, conhecido por Zé de Pileco, que era fervoroso católico, rezador de terços e que tinha fama de ser raizeiro, benzedor e curador, que não se conformava com aquela dissidência.
Com aquela conversa da “autoridade” fiquei um pouco na dúvida, mas achei que o melhor seria procurar não me envolver naquela situação e quando tivesse que comparecer naquela comunidade rural, o melhor seria ficar neutro. E assim, para não “dar prestígio” nem a um ou a outro líder, marcamos a reunião na casa de um pequeno produtor que fez o convite em nome do sindicato em que era associado. Mas, estando contrariados, nenhum deles compareceu ao evento.
Na segunda feira, pela manhã, quando cheguei para o expediente no referido Posto Avançado do Banco, notei que entre a fila de mutuários e aposentados estavam presentes os dois líderes de Cajamunum e, chegada a vez de cada um ser atendido, ambos vieram com suas reclamações pelo fato de terem sido desprestigiados, um alegando que as reuniões da comunidade sempre eram realizadas na “sua” Escola e o outro insistindo que o melhor lugar para os encontros era na Igrejinha Católica do lugar.
Eu tentei explicar-lhes sobre a minha neutralidade, mas creio que nenhum deles se convenceu.
Naquela época não havia, ainda, uma casa específica para a realização dos cultos e dos encontros programados pelos crentes, que faziam suas primeiras reuniões debaixo de um frondoso pau d’óleo, bem localizado no centro do povoado, justamente onde antes sempre ficavam amarrados ao tronco da árvore os diversos animais de montaria das pessoas que para ali se dirigiam.
Aconteceu que o dito professor e crente, havendo “agendado” com a Marisa Consuelo, coordenadora da Emater, a qual ainda não sabia das divergências em curso, que combinaram a realização de uma grande reunião naquele local, debaixo da dita árvore, aonde foram improvisados vários bancos com tocos e troncos de madeira.
Muito cautelosos e já prevendo alguma novidade naquele evento, quando estávamos seguindo para participar dessa reunião, fomos abordados, antes de chegar, ainda na estrada, por um emissário do “seu” Zé de Pileco, avisando-nos de que seria melhor que não comparecêssemos àquela reunião, convocada pelo professor Massú, pois estaríamos correndo risco de sermos atingido por um “castigo” que ali haveria de acontecer.
E foi assim que, pelo sim ou pelo não, tanto o delegado “seu” Maxêncio, como o vigário, padre Paulo Tofoletti, que seguiam num outro carro à nossa frente, deram sinal para ali pararmos e convenceram-nos de atrasarmos um pouco a viagem, com a desculpa de algum imprevisto com o motor ou o pneu, para ver o que de fato iria acontecer. E deixamos, pois, que o tempo transcorresse e quando estávamos atravessando o córrego na chegada do povoado, cruzamos com o fusquinha da Emater, vindo em alta velocidade, com alguém no seu interior gritando e gemendo de dor, em direção da cidade de Chapada do Norte, em busca de atendimento médico para os feridos.
E, logo depois, ao chegarmos a Cajamunum, ali deparamos com o desenrolar do tal “castigo”, que estava ainda acontecendo, pois havia um tremendo corre-corre das pessoas que fugiam, de um lado para outro da praça, correndo e em verdadeira debandada e pavorosa, todos se afastando daquela árvore, onde os animais amarrados se debatiam e relinchavam, atacados por uma imensa nuvem de terríveis marimbondos ferroando a todos que ali estavam.
Passado um bom tempo, depois de tudo voltar à calmaria e normalidade, a reunião acabou acontecendo dentro da igrejinha, para o mais completo desgosto do professor Massú, que dali se escafedeu sentindo na pele as ferroadas e no seu prestígio o poder do “feitiço” encomendado por alguém que não queria que a reunião acontecesse naquele local por ele escolhido.
A fama dos poderes secretos de Zé Pileco, que jurava de pé juntos nada ter com o incidente, mais ainda se espalhou e aumentava cada vez mais o grande respeito que todos tinham pela sua pessoa.
O mestre Massú, desmoralizado em Cajamunum, não teve outra opção, senão a de se mudar, de mala, cuia e bíblia para uma comunidade nova, localizada do outro lado do Córrego da Água Limpa, no município de Berilo, para onde se transferiu como professor.
Depois de algum tempo, certa manhã, chegou ao banco aquela figura esguia e simpática do nosso amigo Zé de Pileco, trajando seu terno de brim cáqui, chapéu de feltro, com seu semblante sempre muito alegre e prazenteiro, trazendo-me de presente uma forma do delicioso requeijão moreno, quando me convidou para comparecer ao “Terço do Senhor do Bonfim”, que faria realizar em sua residência, quando me esclareceu que os marimbondos já estavam amansados e “arranchados” em outro local mais distante e seguro e que o carretel de linha de nylon ele já estava utilizando para a sua principal finalidade que era a de pescar seus lambaris e cascudos lá no Rio Capivari que passava aos fundos de sua casa.
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COMPRAR OU VENDER VOTO É CRIME


VOTO É UM BEM PRECIOSO


Quem compra voto é ALICIADOR e está cometendo crime eleitoral. Quem compra voto é criminoso e que vende o voto também é criminoso.
Quem não vota com consciência e responsabilidade está abrindo mão de um direito sagrado, desrespeita as leis do país e atenta contra a democracia, portanto é um criminoso e, como tal, deixa de ser considerado cidadão.
Se você vende seu voto, você se torna uma pessoa indigna, cúmplice de um crime eleitoral.

Se você apoia candidato corrupto (criminoso), você assim se torna, igualmente, um CORRUPTO.

Se no seu grupo político existe alguma pessoa considerada corrupta, esta pessoa está contaminando a credibilidade de todo o grupo e quem dele estiver envolvido. Um grupo em que atua um corrupto passa a ser considerado BANDO, o mesmo que QUADRILHA.


Portanto, não queira ser um QUADRILHEIRO. Não venda seu voto e nem aceite em seu grupo a lamentável figura de um político corrupto.

sexta-feira, 29 de julho de 2016

HONESTIDADE NA MEDIDA EXATA


UM PREFEITO TEM A OBRIGAÇÃO DE SER HONESTO?

HONESTIDADE: como palavra é um substantivo abstrato; como conceito é um valor concreto e absoluto, pois com referência a ele não há meio termo.

SER HONESTO é algo que é, ou deixar de ser. E, em alguns casos não se exige apenas que a pessoa, de fato, seja honesta. Antes, é preciso inspirar confiança, ter credibilidade, ser confiável, agir de forma correta e até no seu jeito de falar, de andar e de conversar, inspire confiança unto às demais pessoas. Enfim, é preciso, além de ser – de fato- uma pessoa honesta, haverá de ter a devida aparência de ser uma pessoa honesta e que mereça o crédito de confiança e de ser considerada HONESTA.

Parece ser um exagero e até uma REDUNDÂNCIA ao assim afirmarmos esta grande verdade. Não custa, porém, repetir-se sempre e indefinidamente o que vem sendo objeto de análise, desde os mais remotos tempos. Antes pecar-se pelo excesso, do que falhar por omissão ou desleixo.

“À mulher de César não basta ser honesta, deve parecer honesta”.

Como todos os bons provérbios, este tem um suporte histórico. Refere-se à segunda mulher de Júlio César, Pompeia, de quem ele se divorciou por suspeitar que ela o traíra, mesmo sem ter provas. Este provérbio parte do princípio de que o HOMEM PÚBLICO não pode, em hipótese alguma, ter a sua honra colocada sob dúvidas e, em razão desse princípio inquestionável, deve cercar-se de pessoas confiáveis e contra as quais, igualmente, não exista qualquer suspeita.

Portanto, num grupo de pessoas acreditadas só devem participar pessoas corretas, confiáveis e dignas de crédito. Quem for “ficha suja” deve ficar de fora.

No primeiro mandato do meu amigo DR. GERALDO COELHO DE JESUS, eu fui convidado por ele para participar do seu grupo, no que eu aceitei na condição de que não exerceria qualquer cargo – remunerado ou não – de vez que eu preferi continuar como funcionário do banco em que eu trabalhava, naquela oportunidade. Mas, mesmo não pertencendo ao quadro de funcionários da prefeitura, o prefeito me honrava com seu convite de participar das reuniões de trabalho e também de todos os eventos públicos, o que para mim era motivo de muita satisfação e orgulho, no que eu o retribuía com meu humilde e despretensioso apoio à sua administração, a qual, como até hoje é reconhecida, sempre foi exemplar e que deixou os mais valiosos legados de progresso e de bons exemplos. Naquelas reuniões, lembro-me perfeitamente que as primeiras palavras do prefeito eram, justamente, alertando todos sobre a necessidade de serem honestos, de agirem com honestidade e, sobretudo, de tudo fazerem no sentido de não serem considerados desonestos, em qualquer situação e momento.

Minas Novas teve a felicidade de ser governada, em vários momentos diferentes, por políticos competentes, homens de valor e cidadãos de fato confiáveis e que, no exercício de suas funções, demonstraram nas atitudes que de fato eram pessoas honestas.


Alguns de nossos ex-prefeitos ainda estão vivos e alguns continuam atuantes na política e também continuam sendo merecedores de todo respeito e gratidão. Estão ai as figuras exemplares de ZÉ CAMARGOS, TIÃO BARBOSA, ALTAMIRO e FELIPE MOTA, sobre os quais posso atestar positivamente e em relação a eles "botar a mão no fogo", pois durante o tempo em que governaram Minas Novas eu residia e trabalhava no município. Em relação aos demais nada posso afirmar, pois com eles não convivi. 

E seria muito bom para Minas Novas se os BONS PREFEITOS DE ANTIGAMENTE se dispusessem a se colocar novamente como candidatos a qualquer cargo público, pois têm experiência e credibilidade. Nesse sentido, já tive a oportunidade de conversar sobre este assunto com o Dr. Geraldo, o qual logo me desestimulou a continuar nessa “prosa”, enveredando-nos a assuntos mais agradáveis, levando-me a concordar com ele de que tudo tem o seu tempo e a sua vez. Contudo, além do que ele deixou de CONCRETO em nossa cidade, fica aí o exemplo concreto do que seja HONESTIDADE, uma palavra que tanto pode ser considerada como adjetivo (qualidade) ou como substantivo de uma concretitude inabalável e indissolúvel, com a qual podemos APALPAR, TATEAR, MEDIR, SONDAR, AVALIAR E ACREDITAR no que seja a PALAVRA DO HOMEM CORRETO E MOLDADO PARA EXERCER UM CARGO PÚBLICO.



O VOTO É SECRETO E INDEVASSÁVEL
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Secreto, é um lugar onde todo mundo sabe o que seja.
E “indevassável”, você sabe o significado desta palavra?
Pois é: INDEVASSÁVEL é o que não é devassável, é o que fica bem fechado, que não está ao alcance da visão de outras pessoas.
A cabine eleitoral é o único lugar seguro, no mundo, onde de fato qualquer pessoa pode exercer todos os seus direitos de fazer ou deixar de fazer o que seja de seu exclusivo domínio para decidir, naquela hora, o que considerar melhor no seu particular e inconfessável entendimento e motivação. Aquele é o único lugar do mundo que, efetivamente, bem representa o IDEAL DA DEMOCRACIA. Nem no banheiro de sua casa você estaria mais à vontade...
Ao entrar na cabine de votação o eleitor entra num mundo completamente à parte e, estando ali dentro, ele é o senhor absoluto de sua vontade, não precisando dar satisfação a quem quer que seja, podendo, inclusive, exercer o seu direito de até TRAIR se este for o seu desejo, a sua opção que ali surge à sua frente, de vez que ninguém vai ficar sabendo em quem você votou, mesmo que, até ali, você tenha sempre declarado que iria votar num outro candidato que não seja aquele que, na “hora H” de votar, você decidiu dar para ele apenas uma “banana”. E isto é muito bom. A cabine é o lugar ideal para se fazer isto.
A cabine de votação é um dos últimos lugares remanescentes em que não há câmeras de segurança, escutas, mulheres, maridos, crianças, chefes, polícia.
Não tem nem sequer limite de tempo. Você pode demorar o tempo que for para votar, e ninguém pode fazer nada. Você pode votar no partido, na legenda, em branco, anular ou, se quiser, fazer a melhor vingança que é votar “contra”. Nada mais significativo e de maior impacto.
Não há regras, E, por isso, a raiva que muitos sentem pelo sistema político que julgam falido, mas é assim que a "banda toca" e será assim que seu voto vai se traduzir com toda força, nos votos apurados, cujo resultado é imprevisível, mesmo diante do que seja anunciado pelas pesquisas de intenção de voto e de “boca-de-urna”. Não porque as pessoas sejam desonestas ou volúveis, necessariamente, não porque gostemos ou deixemps de gostar de determinada pessoa que esteja concorrendo ao cargo eletivo, mas, se este pessoa estiver representando um momento histórico cuja avaliação esteja exigindo uma correção de rumos.
E você sabe por quê? Um único voto – o seu voto – pode ser decisivo para resolver esse problema histórico.
Assim como você se pergunta por um instante como seria “dar um basta” nessa corja de corruptos, muitos já assim decidiram e agindo com inteligência e bem caladinhos, vão exercer seu direito desta forma. E ninguém terá a mínima condição de saber, a não ser que você mesmo revele o seu segredo.
Portanto, o momento do voto, no dia das eleições, será a melhor oportunidade de você dar vazão à IRA SANTA que está calada dentro de sua consciência. É o momento ideal de se praticar a mais pura e absoluta democracia, no verdadeiro sentido desta palavra tão sagrada.
Quando você estiver ali, sozinho, diante da urna -- apenas você e a urna -- lembrem-se porém que, mesmo com a certeza da segurança, há a sua CONSCIÊNCIA e a esta, mesmo que você não queira dar-lhe satisfações, será impossível ficar livre de sua força. Afinal, sua consciência é o ELO indissolúvel que existe entre sua inteligência e a INTELIGÊNCIA DE DEUS.
A HORA DO VOTO É ALGO FENOMENAL – FORMIDÁVEL – MOMENTO DE EXERCER PLENAMENTE SUA LIBERDADE DE ESCOLHAS.
É a melhor oportunidade de se VINGAR, de se RIR SILENCIOSAMENTE e de se REPELIR CANDIDATOS DESONESTOS que se julgam os maiorais e no direito de abusar da paciência e da Inteligência dos eleitores, como se todos nós fôssemos um bando de imbecis, uns bocós, ignorantes e sem capacidade de decidir... O segredo do voto tem esta finalidade. Mas, é preciso ter consciência, coragem, determinação e MUITO ZELO.
Lembremo-nos, todos, de que temos CONSCIÊNCIA...
E, por falar em consciência, esta é a única companhia que haveremos de levar por toda a vida, por todos os lugares em que andemos.
A CONSCIÊNCIA É O OLHO DE DEUS.
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Geraldo Magela Mota Coelho

quarta-feira, 27 de julho de 2016

"JAZZ FÁ-LÁ-SI-MI QUER" X "NEM COM AÇÚCAR"

Nos bons tempos do TEATRO DE MINAS NOVAS, eram dois os JAZZ que faziam o maior sucesso na cidade.

FÁ-LÁ-SI-MI QUER: Eis ai um autêntico JAZZ, inclusive com banjo, bangô, cabaça e bandolim... É, de fato, uma banda para a qual era de se tirar o chapéu. (No bandolim, parece-me que é o saudoso Luiz Leite).
O "jazz" concorrente se chamava "NEM COM AÇÚCAR". Além do bom gosto artístico, também primavam pela sutileza que se refletia em suas denominações, numa rivalidade que, antes de ser prejudicial, promovia uma saudável disputa que resultava no aperfeiçoamento musical de ambos os grupos.

SAIBA EXPRESSAR BEM O QUE QUEIRA DIZER...


EU FUI PASSEAR MONTADO NA ÉGUA DE MINHA COMADRE JANDIRA
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Mesmo que coloquialmente, devemos ter muito cuidado com a nossa maneira de expressar, escrevendo ou falando, para não incorrermos em situações vexatórias com o uso inadequado de cacófatos, pleonasmo e outros vícios de linguagem que soam mal aos ouvidos e que até podem ofender pessoas a quem nos dirigimos. Mas, também, os cuidados devem ser observados quanto ao uso de outros recursos linguísticos que podem tornar-se inadequados, conforme o contexto em que estejam empregados.
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A Metáfora, por exemplo, é uma figura de linguagem que produz sentidos figurados por meio de comparações implícitas. Ela pode dar um duplo sentido à frase. E com a ausência de uma conjunção comparativa, pode assumir uma feição adversa àquela que desejaríamos. Também é um recurso expressivo, cujo uso deve ser parcimonioso.
"Fulano é um gato"; Minha prima é uma flor; meu amigo é um galinha; você é um pão.
No meu tempo de juventude, e desde aquela época, tive sempre muito cuidado para não ser chamado de “burro” e me esforçava para não passar como “asno”. Convivi com colegas, alguns muito vaidosos, uns que gostavam de serem considerados como “gatos”, outros como “feras” e tenho um primo que gostava de ser chamado “pão”. Eu, que sempre fui muito humilde e acanhado, preferia que me tratassem, no máximo, pelo apelido de “Lalau”, com o qual passei ser designado desde o dia em que, no segundo ano do curso primário, minha professora me fez participar de um auditório em que encenava a história tirada da Cartilha de “Lili, Lalau e o Lobo Mau”, evento escolar em que me sai como um aplaudido ator, ao lado da Lili que também continuou com esse nome e que desde aquela época nunca mais vi, pois ela, sim, era de fato uma artista mirim de circo e estava de passagem por minha velha Minas Novas, na companhia de seu pai, o palhaço Gastura.
Desde aquela época passei considerar como curioso o fato de se “batizar” as pessoas com outros nomes diferentes daqueles que receberam na pia batismal e no registro cartorário, ao tempo em que, mesmo como sobrenome, muitas pessoas carregam referências a nomes estranhos, que normalmente nos lembram de lugares, árvores, animais e profissões.
Nossa família, por exemplo, desde o mais remoto ascendente, adotou o “Coelho”, mas conheço muitas outras famílias que são “Pinto”, “Carneiro”, “Galo”, “Leão”, “Barata”, “Cordeiro”, “Leitão”, “Vieira”, “Camarão”, “Peixe” e até “Veado”, mesmo que figuras saltitantes dessa natureza estejam, às vezes ocultas, até mesmo nas melhores famílias de nossa sociedade.
São inúmeros os “Silva”, os “Pereira”. “Pinheiro”, “Carvalho”, “Nogueira”, Oliveira, Pimenta, Lima e outras árvores, sem se falar na série dos Almeidas, Rochas, Lages, Rodrigues, Magalhães, Sousa, Azevedos, Brandão, Mota, Caldas, Guedes, Borges, Sena, Ferreira, Guimarães, Setúbal, Silveiras, Ramalhos, Costa, Esteves, Dias, Cavalcanti, Leite, Colares, Fernandes, Santos, Couto, Moreira, Figueiredo, Casais, Amaral, Chagas, Neves, Ribeiro, Monteiro, Queluz, Teixeira, Bento, Bessa, Ramos, Pires, Camargos, Barbosa, Tavares, Abreu, Lemos, Batista, Sena, Junqueira, Vaz, Brito, Pedra, Madeira, Ferro, Barros, Terra, Braga, Luz, Pimentel e até Neves, etc. etc.
A maioria das pessoas, porém, é mais conhecida por apelidos.
Aliás, na minha cidade, não sei o porquê, é muito comum as pessoas serem conhecidas por apelidos com referência a animais, como “cobra”, “bode”, “jiboia”, “cabra”, “tatu”, “jacu”, “soim”, “cutia”, “carrapato”, “lesma”, “boi”, “lambari”, “cascudo”, “muriçoca”, “lagartixa”, “cupim”, “chupão”, “ratinho”....
.... mas ninguém gosta de ser chamado de “burro”, “mula”, “jumento”, “jegue”, “égua”, “cachorro”, “cavalo”, “veado”, “anta”, “galinha”, “rato”, “porco”, “asno”.
Ultimamente um apelido que tem sido considerado muito ofensivo é “vaca” e não vejo qualquer razão para essa implicância. Chamar uma pessoa de vaca tem sido motivo de grande contrariedade e muita briga.... e há, também, os que gostam de chamar a nossa presidenta de ANTA e, quanto a isto, não vejo qual o gosto em se ofender a fêmea do tapir.
Eu sempre considerei, o fato de xingar e emitir impropérios, uma atitude deselegante, incorreta e que destoa do "bom tom" que os falantes devem dar à comunicação, mesmo que informal, ou coloquial, no seu quotidiano. Antes de tudo, considero ser uma grande injustiça considerar a vaca como incompetente, mal-educada, corrupta ou merecedora de outro adjetivo, com conotações pejorativas, quando todos sabem que a vaca, sendo animal doméstico e muito útil, para ser valorizada precisa ser, tão somente, boa pastadeira, boa parideira e boa leiteira.
Essa mania nacional, que agora é a de colocar em discussão os méritos da PRESIDENTA, como tal, não tem qualquer sentido quando alguém, movido por qualquer arroubo, lança mão de recursos inadequados, idênticos a esse, quando se sabe que, com um mínimo de inteligência e observação, pode-se optar pelo uso apropriado dos adjetivos, com a extensão dos significados semânticos que indicam nosso entendimento sobre determinados assuntos, em específicas situações e momentos.
Quanto à vaca, é muito recorrente a expressão, nem sempre cabível no contexto, quando alguém queira remetê-la ao brejo, lugar que nem sempre as vacas devam ir ou ali devam se sentir muito à vontade, pois se trata de um destino onde nem sempre pode ser comparado a um lamaçal, pois BREJO é uma nascente d'água e este outro lugar, sim, nele chafurdam outros viventes pouco asseados que não aprenderam a zelar pelas atitudes e aparências, e mesmo sendo gente, também não se dá ao respeito como pessoa, muito menos como autoridade.
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terça-feira, 26 de julho de 2016

BOA EDUCAÇÃO SAI DA MODA?


BOA EDUCAÇÃO 

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Boas maneiras – bons modos – boa conduta – bom procedimento – bom comportamento – fineza - etiqueta – elegância – cavalheirismo
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O bom comportamento é algo difícil de ser ensinado. E talvez por isso seja sempre raro de ser encontrado, além de que educação enferruja por falta de uso. As boas maneiras são uma noção geral da lida entre pessoas civilizadas, da boa convivência normal que deve ser considerada entre as pessoas, umas com as outras e vice-versa, o que vai muito além do que seja o uso correto dos talheres ao se assentar à mesa para as refeições, ou o costume de se pedir licença, de se dizer “por favor” e do “muito obrigado” ao receber uma gentileza. Estas, são as chamadas “palavrinhas mágicas” que abrem e que fecham portas. Boas maneiras poderiam ser resumidas em uma única palavra: Elegância. É o correto proceder que se adota mesmo quando não se está numa festa  ou em alguma reunião entre amigos, ou quando não há ninguém a observar o que se está fazendo ou nos reparando, simplesmente porque é o certo a se fazer e portanto se faz espontaneamente. Começa-se pela pontualidade. Passa-se pela gentileza, mas não termina nunca. É aquela postura generosa de quem elogia mais do que critica e escuta mais do que fala. E também olha nos olhos quando conversa. E quando fala, discute fatos e ideias, e não, pessoas. E não altera o tom da voz ao se dirigir ao vendedor, ao garçom ou ao frentistas. E evita assuntos constrangedores porque compreende que não é legal expor os outros. E demonstra interesse por assuntos que desconhece. E sabe a hora de se calar, quando o silêncio vale ouro... Acontece diante de rejeições, de desacordos e de quando o assunto ruma para o desconforto de alguém presente. Elegância é a qualidade de quem presenteia fora das datas festivas, nem que seja simplesmente com flores. E quando vai a algum jantar ou encontro de amigos sempre leva algo para o anfitrião. Cumprir o que promete lhe torna, além de elegante, confiável. E quando faz algo por alguém, este alguém jamais precise saber o que você teve que se arrebentar para fazê-lo. Ser alguém folgado, ou convencido, ou arrogante lhe torna MUITO deselegante. A humildade é, para além de elegante, uma virtude deveras apreciada por quem vale a pena. Não a humildade hipócrita de quem se rebaixa, e sim a humildade de quem sabe o seu devido lugar. Se está abaixo, fica abaixo, se está acima, fica acima, com a mesma naturalidade que lhe é merecida. Assim se tornará autêntico -- e como brilham as pessoas autênticas -- aquelas que se poliram de tal maneira, que agradam sem precisar alterar sua essência! Reconhecer, e retribuir favores e gentilezas é, além de elegante, uma bela virtude cujo nome é gratidão. Havia um tempo, e em muitos lugares isso ainda acontece, quando sobrenomes e títulos sociais, além da opulência material, eram levados em conta ao se fazer juízo de alguém. Hoje é mais autêntico não se fazer esse juízo, mas, se a tentação for grande, que se faça com base nos gestos da pessoa. Sorrir, sempre é muito elegante. Nosso erro é sempre ter como frescura o que são bons modos. Bons modos, ou boas maneiras, ou ainda etiqueta, não são coisa de gente rica: são coisas de gente fina e agradável. E não há manual de etiqueta que afirme que você precise ter muito dinheiro para ser fino e educado. Muito pelo contrário. Quanto mais agradável você se torna, mais estimado você será e mais digno se sentirá no seu convívio social e comunitário. A dignidade está na generosidade de se fazer o bem - nem que seja sendo minimamente agradável - e não em função de suas posses. Todos nascemos deseducados e grosseiros, isso não pode ser mudado. Mas morrer grosseiro é uma escolha nossa. Não podemos modificar o passado, mas podemos, sim, sempre estar construindo e melhorando  um novo começo.


O OURO


O OURO
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(Lalau)


O ouro faz mesuras
O ouro é mesonheiro
O ouro é efêmero
O ouro é adulador
O ouro é interesseiro
Ouro não tem desdouro
Ouro é do tesouro.

A riqueza é ardilosa
O ouro é enganador
Traz-lhe sonhos e ilusão
Pois é um grande fingidor
É tinhoso, é manganão.

Faça da vida uma poesia
Mesmo com versos sem rimas
Não leve uma vida vazia
Sem prazeres e sem estimas

Pois a vida é sabedoria
A vida é presente de Deus
Portanto, viva com alegria
Em todos os momentos seus
Cada minuto, toda hora, todo dia.

segunda-feira, 25 de julho de 2016

LADINHO DE LELÊ


FIGURAS INOLVIDÁVEIS DA HISTÓRIA FANADEIRA
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LADINHO DE LELÊ
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Em Minas Novas é bastante conhecida a "façanha" da rosca enfiada no calção, que de fato aconteceu com o nosso saudoso amigo LADINHO DE LELÊ. E não foi um caso premeditado de "rompante" ou bravata, pois isto não era coisa de seu feitio, de vez que o nosso "herói" não dispensava sua peixeira bem afiada e uma boa garrucha 22, apetrechos que, por sorte de todos, ele não portava naquele dia de festa e de visita à cidade vizinha.
A tal rosca, na verdade, era uma "merenda" que ele – muito prevenido e tão econômico como seu finado pai – havia reservado para não precisar fazer despesas em alguma venda naquele dia de festa em Turmalina. E estando ele dançando naquele forró, de vez em quando tinha que "ajeitar" a rosca na cintura, para evitar que ela caísse no meio do salão, atitude que foi considerada suspeita pelos "milicos", que viam naquele gesto como algo ameaçador.
O "cabo Piquilé”, que naquele folclórico dia era o comandante daquele bravo esquadrão, por ser conhecido do suposto "meliante", foi imediatamente chamado para dar início às tratativas no sentido de, com muito cuidado, "desarmar" o conterrâneo brigador, no que o Ladinho entendeu que o amigo de infância - no seu jeito amistoso e conciliador - estava querendo era lhe tomar aquela merenda que, aliás, fora preparada pela tia e madrinha Zinha de Tião Brandão, cujas prendas culinárias eram bastante conhecidas de ambos, pois todos eram "crias" da casa daquela bondosa senhora que, felizmente, está viva e bem saudável e pode confirmar a veracidade desta história.
LADINHO sempre foi um rapaz muito trabalhador, honesto e dedicado às lides rurais, onde tudo fazia para ser tão produtivo e correto como seu pai, o igualmente saudoso Manezinho Venâncio, de quem havia herdado, não só os qualificados dotes acima relacionados, mas também a aparência física, os trejeitos e os cacoetes. Era ele um verdadeiro Xerox do pai, ao qual sempre foi fiel companheiro de todas as horas, em todas as pelejas da difícil vida de roceiro, de vaqueiro, de campeiro e de embates com animal bravo escapulido do pasto ou para buscar, na unha, uma vaca braba que estivesse arribada no angiquinho e na jurema. E com ambos nunca havia tempo ruim ou empreitada de serviço, por mais duída que fosse, que eles enjeitassem ou não dessem conta direitinho do recado.
O velho Manoel Venâncio, pai de Ladinho, que apesar de muito esclarecido e consciente em todas suas atitudes de ótimo pai de família, era completamente analfabeto e naquele tempo, antes da Constituição Cidadã de 1988, quem não soubesse ler e escrever não podia ser eleitor e, sendo, assim, uma das suas maiores frustrações era não poder votar, justamente ele que detestava a politicagem do lado dos “Badarós” e, mesmo assim, não podendo votar, participava ativamente das campanhas a favor dos candidatos da UDN que eram adversários do dito “coronel”. E isto ele fazia sempre, com tanto gosto, que até mesmo gastava dinheiro de sua própria algibeira para ajudar nos comícios do “contra”.
Ele, na sua “santa ignorância” – como entendiam os puxa-sacos do referido político – na verdade assim agia como um recôndito protesto contra aquele tipo de dominação política baseada no cabresto e no incentivo ao atraso e ao analfabetismo, que ele sofria na própria carne como um opróbrio, uma verdadeira humilhação que fazia questão de não esconder e contra ela lutar a seu modo. E esta condição de sofrimento ele não desejava para sua família, tanto que, mesmo diante de tantas dificuldades e de um regime que ele adotava de muito controle e de rigorosa economia, não media esforços no sentido de permitir que todos os seus filhos pudessem frequentar a escola e terem o melhor aproveitamento, para não ficarem analfabetos como ele ficou.
Toda a família morava e dava duro no trabalho, no sitio próximo da Barragem das Almas, mas os filhos não podiam faltar às aulas do grupo escolar e, para isto, diariamente e bem cedinho, vinham a pé e tocando os burrinhos nos quais traziam cargas de lenha, verduras, mandioca, frutas e litros de leite para entregar, de casa em casa, à freguesia da cidade, pois era a venda do que plantavam e produziam em suas vazantes e roçados, que se constituía como única fonte de renda da família.
Ladinho, dos meninos da família, era o filho mais velho, no entanto, sendo o braço direito do pai, preferia estudar à noite, no turno reservado ao ensino de adultos, embora fosse pouca sua idade a contrariar as normas escolares, absorvendo os ensinamentos daquele ambiente mais rude, resultando todo aquele seu jeitão de ser uma criança com “rompantes” e atitudes de gente grande. Destarte, eram os assuntos de que ele tratava, em qualquer círculo de conversa, sempre relacionado aos temas recorrentes de sua convivência muito próxima aos adultos, aprendendo com o próprio pai a negociar suas mercadorias, comprar e vender animais, discutir preços, pechinchar, pedir e conceder prazos e outras condições, sempre de forma segura e bem acreditada em todas as situações. Como o pai, não perdia a oportunidade de fazer críticas aos políticos de quem faziam renhida oposição, embora a oposição sempre ficasse em desvantagem em todas as eleições, o que não bastava para fazê-los desistir daquela implicância. Contudo, não se indispunham com ninguém e todos na cidade e redondezas os consideravam com o maior respeito e os levavam numa boa, como exemplos de trabalho e de união que a todos causavam admiração.
O ano todo era de muito trabalho e dedicação exclusiva aos serviços rurais, mas era só começar o movimento político na cidade que imediatamente o Manezinho e o filho se apresentavam para ajudar aos candidatos da oposição, mesmo sabendo que era uma luta perdida. E durante toda a vida foi assim, jamais tendo o prazer de ver algum candidato do contra sair vencedor na eleição, que o saudoso Manoel Venâncio faleceu sem exercer o prazer de votar mas, antes de morrer, pediu a seu filho Ladinho que lhe prometesse, sob jura, que jamais votaria nos candidatos que tivessem qualquer ligação com o antigo PSD. E foi assim que, passado algum tempo, depois de toda uma vida de derrotas políticas, a oposição em Minas Novas, até que enfim, pode ver a vitória de seu candidato a prefeito, com a eleição do Dr. Geraldo Coelho, em cuja campanha, depois de um acirrada pleito em que todos compareciam os comícios em qualquer lugar do município, destacando-se a presença animada e entusiasmada do Ladinho de Lelê. E foi uma festa como jamais houve outra igual, continuando aquele clima de alegria e de grande participação popular, durante e depois da apuração com toda aquela grande expectativa quanto à posse, sempre surgindo boatos que diziam que o prefeito da corrente derrotada não entregaria o cargo, que o candidato eleito não haveria de entrar na prefeitura, que as máquinas, os veículos e os bens mais valiosos da municipalidade seriam vendidos para pagar dívidas antigas e muitas outras bravatas que o povo de pouco instrução acreditava serem verdadeiras e que tomava como desaforos e muitos até passaram a organizar movimentos para impedir que todas aquelas ameaças se transformassem em realidade. O candidato eleito, vendo naquilo tudo um excesso de preocupação, procurava tranquilizar a todos, dizendo que eram boatos e que nada daquilo procedia e pudesse alterar o curso normal de sua posse, cuja data já se aproximava.
Mas a verdade é que os boatos se espalhavam e os eleitores que votaram no Dr. Geraldo começaram a ficar assustados e resolveram organizar uma comissão com o objetivo de lutar, da maneira que fosse possível, para não deixar que os bens da prefeitura fossem vendidos e inviabilizassem o sucesso do novo prefeito, uma boataria cada vez mais forte, reforçando o que estava sendo propalado. E com o objetivo de se prevenir contra os citados desmandos, um grupo mais exaltado se reunia, cada dia num local diferente, para traçarem as estratégias de defesa daquilo que imaginavam como uma real ameaça. E para que tudo corresse da forma desejada, resolveram infiltrar espiões nos serviços municipais, sendo que um deles descobriu, não se sabe como, que um dos caminhões da prefeitura, justamente o único que estava em boas condições de uso, já estava vendido a um fazendeiro de Capelinha e a entrega do mesmo estava para acontecer, naquele próximo final de semana, num local próximo à Lagoa Grande, para onde o veículo fora levado, às escondidas, e colocado no meio dos eucaliptos para ser repassado ao comprador, sem que ninguém da cidade ficasse sabendo. E, de fato, o referido caminhão estava naquele local, mas cedido para o serviço de uma pequena fábrica de óleos essenciais que havia por ali, sendo que “aquela descoberta” foi o estopim de uma revolta.
Naquele mesmo dia, num tempo recorde, reuniu-se um verdadeiro batalhão de eleitores do Dr. Geraldo, no Bar Cantinho da Amizade (que naquele dia não abriu suas portas), bem lá no fundo, foram divididas as tarefas de defesa, já estando na rua, em frente, aglomerando os diversos carros que levariam os revoltosos para resgatarem o “caminhão fujão”, todos determinados a “matar ou morrer”, e para tanto cada um se armou de faca, facão, pau de fumo, foice, pistola, garrucha de tudo que é calibre, espingarda, carabina e todo um arsenal que certamente nunca tinha saído do cabide desde o tempo da Guerra do Paraguai. A polícia foi alertada e, para evitar o confronto, imediatamente uma tropa de choque foi organizada e seguiu, junto do delegado que era do lado do prefeito derrotado, para o lugar onde estava escondido o dito caminhão.
E lá no local, no meio dos eucaliptos, os policiais fizeram um cordão de isolamento e um corredor no meio dos talhões, através dos quais o caminhão deveria sair para seguir o seu destino, rumo à suposta fazenda do comprador.
Quando os revoltosos começaram a chegar perto, o delegado se posicionou no meio da estrada e, com a mão espalmada, pediu que o carro parasse e se colocasse de lado. Foi quando de dentro da picape de Tião Labatu o Ladinho deu um pulo no pescoço da dita autoridade e gritou aos demais que avançassem. E foi aquele “deus nos acuda”, pois até os soldados – que no fundo, no fundo, eram todos favoráveis ao prefeito eleito, saíram correndo pra todos os lados e os revoltosos, uns dando tiros pra cima, com suas garruchas, outros correndo atrás dos policiais jogando pedras, gritando e vaiando, botaram todos para correr, subiram no caminhão “amarelinho” e obrigaram o pobre do motorista a seguir para a cidade, onde entraram em passeata, com buzinação, muito foguete e aquela multidão quase que carregando o “canarinho” – assim ficou conhecido o caminhão resgatado – como um verdadeiro troféu. Até hoje não sei se o comprador ficou no prejuízo, mas o certo que, todos os dias, o Ladinho de Lelê era o primeiro que chegava até o pátio da prefeitura para conferir se o caminhão estava lá estacionado e ainda chamava o motorista Jojó para saber dele se havia algum risco de haver novas “fugas”.
E em razão daquele resultado eleitoral, favorável ao desejo do Ladinho, causou-lhe tanto entusiasmo e alegria dele foi tão grande que, no dia da posse do Dr. Geraldo, o coração dele infelizmente não resistiu diante de tanta emoção e parou de funcionar, quando comemorava a posse, no meio da população em festa, ali bem próximo da Prefeitura Municipal.
LADINHO DE LELÊ foi uma pessoa muito humilde e morreu jovem, mas seu exemplo de trabalho, honestidade e de admirável dedicação à sua terra natal o faz merecer, portanto, ser honrado entre as FIGURAS INOLVIDÁVEIS DAS TERRAS FANADEIRAS.

domingo, 24 de julho de 2016

A Mão da Divina Providência



A Mão da Divina Providência

(um fato verídico... Deus escreve sempre certo por linhas tortuosas!)

Eu conheci e tive a felicidade de com ele conviver por muitos anos, que foi a figura saudosa de uma pessoa muito simples, parente distante, ótimo pai de família e um amigo de todas as horas e também vizinho da casa de minha mãe, de quem nunca me esqueço, em razão dos diversos momentos que compartilhamos, e que a respeito dele quero deixar alguns depoimentos, para melhor entender sua história de um grande cidadão.

Em Minas Novas, era ele um oficial de justiça que, como a maioria dos homens do lugar, gostava muito de fumar o seu cigarrinho de palha. E ele, esse meu amigo, fumava mais ainda, descontroladamente, fazendo seu fedorento cigarro de fumo “banzé” usando com qualquer pedaço de palha que encontrava mais fácil.

Certa vez, não encontrando palha alguma para fazer o seu "pito", ele enrolou o fumo picadinho num pedaço de um papel.

Esse “papel”, porém, era um precioso documento, era um mandado de reintegração de posse que ele, juntamente com o "oficial companheiro", sob escolta armada de uma reforçada guarnição militar, já seguia na adiantada diligência, aonde deveria dar o seu cumprimento, com todas as formalidades legais, num lugar distante dentro daquela imensa jurisdição, quase do tamanho do Estado, num local da comarca onde estavam lhe aguardando vários advogados e até mesmo um diretor da ACESITA ENERGÉTICA, tamanha era a expectativa de verem terminada a insidiosa ação pública.

A tal “reintegração de posse” acabou sendo adiada por falta do dito instrumento judicial que, em razão daquele incidente que muitos consideraram como uma atitude relapsa e criminosa, parte virou cinzas, outra parte virou fumaça e todas as partes envolvidas ficaram foi a "ver navios" e tiveram que regressar ao fórum.

De tal ato, pelo qual o dito oficial passou a responder por processo administrativo e no qual foi severamente repreendido, dessa punição logo ficou ele livre em razão de uma nova decisão judicial que considerou como ‘VICIADOS” todos os ATOS e julgamentos anteriormente praticados naqueles autos judiciais, resultando, finalmente, em grande benefício a favor de muitos roceiros inocentes que seriam injustamente despejados.

Na reforma da sentença, que foi exarada por um novo magistrado, homem competente, honesto, mais justo que o anterior, venal BEL Afanado, afinal o novo juiz era um BACHAREL, este sim com letras maiúsculas, não cooptado pelas empresas reflorestadoras, que de forma muito acertada entendeu que aquela ação, assim como muitas outras que beneficiavam apenas as partes mais poderosas, não poderiam, como de fato esta não prosperou, merecer o "pálio" da LEI.

Este fato mereceu meus aplausos e eu, naquela oportunidade, tive a ventura de me encaminhar ao ilustre JUIZ e lhe apertar efusivamente as mãos, sob o olhar desaprovador de muitos serventuários e advogados que ainda hoje continuam sua militância naquele fórum de Minas Novas, que, pela primeira vez viram a frustração de seus interesses mesquinhos, sempre em detrimento das partes fracas e oprimidas.

ZÉ BRANCO, esse era o oficial de justiça de quem me refiro, sempre tive a maior certeza, que não agiu daquela forma  deliberadamente, foi premido pela força de seu vício de fumar desbragadamente ou, quiçá, tenha sido movido por uma força muito mais poderosa, bem maior que a da justiça terrena, aquela que, por linhas travessas, de fato encaminha todas as pessoas de bom espírito e bom coração em direção do que é CERTO E JUSTO. Parte superior do formulário
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PRAGA DE PADRE


PRAGA DE PADRE
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As pessoas mais antigas já diziam: “cuidado com o que o padre fala, pois praga de padre é coisa muito perigosa”.
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E, de fato, quando os padres se manifestavam e demonstravam sua inconformidade ou contrariedade em relação a fatos daquela época, era porque alguma coisa de errado, e muito séria, estava ocorrendo. E, invariavelmente, não se passava muito tempo para que se aflorassem os motivos daqueles posicionamentos que eram considerados, no entendimento dos coronéis, como intransigentes, implicantes e retrógrados pelas partes contestadas por aqueles religiosos.  E sobre essas “pragas”, o que o povo simples não entendia, é que se tratava do óbvio: os padres, por serem pessoas dedicadas aos estudos, sendo cultos, experientes e observadores, eram mais previdentes e podiam ver ao longe, sabiam analisar e calcular, estavam mais preparados para avaliar, para aconselhar, orientar e opinar sobre atitudes e antever, com clarividência, os resultados a partir de ações em que eram importantes a observância dos fatores de risco e a lógica do planejamento estratégico. Não se tratava, pois, de futurologia, de poder sobrenatural, dom de adivinhação, de sortilégios ou outras crendices iguais a muitas em que ainda hoje muitos, por serem ignorantes e cabeças duras, continuam acreditando. A manutenção da miséria e a manipulação da ignorância do povo simples sempre constituíram em poderosa condição habilmente utilizada pelos políticos corruptos, de todos os tempos, com o objetivo de se perpetuarem no poder. E qualquer liderança mais equilibrada, responsável e bondosa, dotada de visão e de inteligência para enxergar criteriosamente a realidade, suas consequências e seus desdobramentos futuros, era imediatamente taxada como pessoa visionária, como agente perigoso e, portanto, combatido como feiticeiro, bruxo e inimigo.
Nesse sentido, são muitos os exemplos de antigos padres tidos com “milagreiros” que passaram para a história como verdadeiros profetas. No Vale do Jequitinhonha tivemos vários deles, que foram combatidos pelos coronéis, perseguidos ferrenhamente pelos fazendeiros e políticos que viam naqueles sacerdotes  grandes opositores de seus regimes de opressão e de exploração do povo sofredor e ignorante.
Em Chapada do Norte (antiga Santa Cruz da Chapada) tivemos o exemplo do Monsenhor Mendes, cuja vida de contestação a seus próprios parentes, é um triste episódio da igreja católica em nossa região, pelas injustiças que foram cometidas contra aquele grande benfeitor, cuja vida foi de sacrifícios, tormentos e privações, como descreve em seu livro uma de suas sobrinhas que se tornou famosa em razão de ser a primeira mulher mineira a se formar em medicina.
Em Minas Novas tivemos, no final do século XIX e início do século XX, a figura do Cônego José Barreiros da Cunha que passou por atentado contra sua vida, quando lançaram, do alto do Sobradão, um imenso bloco de granito que perfurou o teto da casa e esmagou o catre em que ele sempre dormia, mas que, por milagre, naquela noite o religioso tinha preferido ficar contemplando seu breviário, orando em frente de seu crucifixo, na pequenina sala de sua residência que ficava ao lado daquele antigo prédio. E toda sua vida, como pároco dessa cidade, foi uma sucessão de calúnias e de perseguições, de toda natureza, que, inclusive, inviabilizaram seu acalentado projeto de transformar a paróquia em Diocese de São Pedro do Fanado, culminando com a criminosa demolição da magnífica Igreja Matriz dedicada ao Príncipe dos Apóstolos, em que os iconoclastas se valeram até do poder de dinamites para derrubar as paredes daquele templo, como forma de eliminar qualquer possibilidade de que fosse retomado o ambicioso plano. Consta da tradição que aquele vigário, indignado com o posicionamento passivo do povo, a favor dos políticos de então, vaticinou o crescente atraso que se abateria sobre a região, pelo menos enquanto durasse o poder e o mando daqueles que o perseguiram. E aí estão os resultados, que todos podemos ver e sentir, refletidos nos baixos índices de desenvolvimento humano, números vergonhosos se comparados com os apresentados até mesmo por cidades vizinhas. Seriam pragas? Evidentemente que não, pois se trata, tão somente, do resultado de ações passadas, da somatória dos efeitos perniciosos que ao longo de décadas vem produzindo os antigos males do tradicional costume de dominação, desde aquela época do carrancismo, quando os mandões só sabiam enganar e explorar a boa-fé da população, distribuindo migalhas em troca de votos e de bajulações. E para conseguirem perpetuar esse domínio, reproduzido pelos seus sucessores e seguidores jamais permitem o desenvolvimento cultural, a melhoria das condições de educação e de ensino, no esforço contínuo e determinado para que todos continuassem, ainda como hoje, na ignorância, na dependência e na miséria, esperando pelos empreguinhos, pelas sinecuras e pelos favores.
Nas décadas  de 1950- 1960 e 1970 tivemos a valente atuação do Padre WILHEMUS JOHANNES LELILEVEL, o saudoso PADRE VILLY, sempre lutando contra a exploração política do povo, principalmente das comunidades localizadas ao longo da Chapada de São Domingos e Rodovia da Definitiva, desde o município de Carbonita, até Virgem da Lapa, abrangendo toda a região dos atuais municípios de Turmalina, Leme do Prado, Minas Novas, José Gonçalves de Minas, Chapada do Norte e Berilo, passando pelas localidades de Acauã, Posses, Mandassaia e Leliveldia. Esse religioso jamais concordou com a ideia de se entregar essas chapadas, através da Ruralminas, para que nelas fossem implantados os projetos de reflorestamento, o que só vem acontecendo depois da sua morte, o que aconteceu a menos de 10 anos, pois enquanto ele teve vida e forças ele sempre desafiou o poder das autoridades regionais, denunciou a ação coordenada dos políticos, grileiros, advogados de reflorestadoras, juízes e donos de cartórios, que durante décadas montaram uma verdadeira quadrilha para transformar em devolutas todas as terras da região e entregá-las a preço vil às grandes empresas do Eucalipto, muitas que ainda atuam na degradação ambiental, sob frequentes mudanças de titularidade, com a condescendência, a anuência e a conivência das prefeituras e das lideranças que nada fazem a favor da população. O padre Villy, em razão de seu trabalho em defesa dos sertanejos, dos groteiros, dos migrantes e dos menos favorecidos pela lei, ele foi perseguido por políticos de grande influência em todo o Vale do Jequitinhonha, foi suspenso de sua ordem religiosa e proibido pelo bispo de Araçuaí de exercer suas funções sacerdotais. Por várias vezes teve que comparecer ao Fórum de Minas Novas, onde era humilhado e ameaçado. Contudo, jamais se deu por vencido e dizia sempre que a implantação do eucalipto era a maior miséria que poderia acontecer em todo o Vale do Jequitinhonha. Seu desejo maior era que o governo construísse diversas barragens (como Irapé), para a geração de energia e implantação de pequenos projetos de lavouras irrigadas, o que poderia transformar toda a Chapada de São Domingos numa região de grande produção de alimentos (grãos e de frutas), a exemplo da região do Jaíba.  O mesmo processo de perseguição foi orquestrado contra os saudosos Padres JUSTINO e JOSÉ LÁVIA, cujos falecimentos prematuros têm características que levam à evidentes suposições de terem eles sofrido constrangimentos psicológicos e traumas de várias naturezas que resultaram em doenças graves e irreversíveis. E também ambos deixaram documentos escritos em que revelam suas indignações, ao tempo que conclamam o povo para melhor refletir sobre esses males que entravam o progresso e o desenvolvimento de nossa região.
Nunca houve, de fato, qualquer “praga de padre”. Houve, em grande quantidade, muita imprevidência e falta de Inteligência por parte da população. E não foi por falta de boa orientação e de alertas, por parte daqueles mesmos padres, os quais foram simplesmente ignorados.
E um dos principais alertas, que ferem nossos ouvidos e doem em nossa alma, é contra a nossa absurda impotência de reagir contra os desmandos e o pior, o de nada podermos fazer para obrigar a SÃO PEDRO nos trazer bastante chuva para revitalizar nossos rios, riachos, córregos e lagoas, de vez que, Infelizmente não temos direito nem credibilidade, junto ao Santo Padroeiro de nossa Paróquia, justamente porque preferimos, no passado, ultrajá-lo e deixar que nossas antigas lideranças colocassem abaixo a sua gloriosa Igreja Matriz. Essa, sim, talvez seja uma vingança ou uma praga, mais que justa e verdadeira, da qual só o Bom Deus, quem sabe um dia, poderá nos livrar, a todos, de seus terríveis efeitos.

Outra evidência terrível dessas “pragas de padre”, que aparece até mesmo nas cantigas folclóricas de nosso lugar, nas quais assim cantam os candonqueiros e mangangás:
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                            “Des’tá Jacaré, que a Lagoa há-de secar:
                              Secou, secou, secou jacaré: quero ver ocê nadar...
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Bota fogo na giranda, quero ver queimar,
Ocè tá doido, Mangangá....


EVOCAÇÕES HISTÓRICAS - VICTOR FIGUEIRA DE FREITAS




EVOCAÇÕES HISTÓRICAS

(Victor Figueira de Freitas)



No ano de 1969 o autor acima lançou, pela EMIL- Editora Mimeográfica Ltda, o livro EVOCAÇÕES HISTÓRICAS, a meu ver uma publicação interessante, sui generis, - datilografada e mimeografada – (talvez uma pequena tiragem) - que contém preciosos relatos de um engenheiro de estradas que demonstra, além do zelo em pesquisar a história de seus antepassados, uma admirável capacidade de conduzir o seu texto com a qualidade vista apenas na redação dos bons escritores, dando-nos a melhor impressão de sua cultura e sensibilidade. É de se admirar, também, o seu grande esforço no sentido de pesquisar, com todo cuidado, paciência e segurança, todas as informações de que precisava para montar a sua “árvore genealógica”, percorrendo os lugares mais distantes onde viveram e trabalharam seus antepassados, a exemplo do que ocorreu com seu avô Dr. Francisco Lourenço de Freitas que, logo depois de chegar de Coimbra (Portugal), onde se bacharelou em direito com apenas 22 anos, seguiu imediatamente para a cidade mineira de Minas Novas, nomeado pelo Imperador para ali exercer o importante cargo de JUIZ DE FORA, tendo ali permanecido durante o período de 1825 a 1828. Ao buscar essas informações, contidas nos autos judiciais de cartórios e outros registros antigos que ele encontrou, fazendo minuciosas buscas nos arquivos da Comarca de Minas Novas, ele não se limitou apenas a coletar os dados sobre o que deixou documentado o seu ilustre avô, mas foi recompondo todo o ambiente histórico em que vivia o culto magistrado. E o fez de tal forma, como se estivesse usando uma objetiva focalizando-a através de uma “máquina do tempo”, que nos deixou nítido panorama de nossa cidade, daquela época.

O avô desse escritor era muito jovem,  embora culto, quando foi nomeado juiz, o segundo bacharel a comandar a Comarca de Minas Novas, logo depois que esta foi criada em 1809 (sendo que o juizado de fora foi criado por alvará de 22 de janeiro de 1810).

Em Minas Novas ele permaneceu solteiro e se dedicando exclusivamente à organização do serviço judiciário, a partir de 1825, permanecendo até 1828 quando o dito juiz Dr. Francisco Lourenço de Freitas foi transferido para a Vila de São Sebastião, sua terra natal, e com o mesmo cargo de juiz de fora, sucedendo ali ao seu contemporâneo na Universidade de Coimbra – Honório Hermeto Carneiro Leão, futuro Marques de Paraná. Trata, então, casamento com sua prima – Anna Leopoldina de Oliveira – filha de Manoel Gonçalves de Oliveira e sua mulher, D. Anna Eufrosina de Sant’Anna Lopes.

Veja, a seguir, trechos do livro citado:






VIDA ACIDENTADA E EXEMPLAR DE JUIZ


A Capitania de São Paulo – que abrangia o território das ‘Minas do Ouro’ ou ‘Minas Geraes’ – só veio a se desmembrar da Capitania do Rio de Janeiro em 1709. Tal separação pode ser atribuída a uma das várias consequências – aqui em Minas – das ‘ordenanças’, instituídas principalmente para efetivarem em benefício da Metrópole, vale dizer da Coroa, a segurança nos caminhos e dos lugares de exploração do ouro.

Começava-se, desse modo, a dar a devida importância ao interior bravio depois que o Cap. Gal. Antonio de Albuquerque Coelho de Carvalho aqui estivera, como mandatário d’El Rei D. João V, nas terras do Rio de janeiro, São Paulo e Minas Gerais. Pouco tempo mais permaneceu Minas ligada e sujeita a São Paulo, pois que em 1.720 separava-as a Metrópole para criar a Capitania das Minas Gerais. Era isso, por assim dizer-se, uma das conclusões indiretas, inevitáveis, da tese formulada na estrênua e prolongada “Guerra dos Emboabas”.

Uma região de Minas Gerais, no entanto – lindeira[1] à da Bahia – nunca pertenceu a São Paulo, nem mesmo logo após seu devassamento[2] em 1.727. E é essa justamente a que faz jus ao inicial exame para focalizar a personalidade a que se quer referir a epígrafe desta crônica.
Quase nas raias da Bahia e, de início, pouco abaixo do mais setentrional território mineiro urbanizado, Minas Novas desde a criação, em 1728, da Vila de Nossa Senhora do Bom Sucesso de Minas Novas do Arassuahy, ora sob jurisdição total da Bahia, ora repartida – quanto aos foros civil, eclesiástico e militar – entre esta e Minas Gerais. Por fim, em 1760, integrou-se exclusivamente na jurisdição civil, eclesiástica e militar desta última.

Mas não pode negar Minas Novas, por suas mais entranhadas e longevas tradições, a grande influência que ali sempre foi exercida pelos paulistas. Primeiramente por parte dos bandeirantes: Fernão Dias Paes (que perlongou a região antes do devassamento), Domingos Rodrigues do Prado, Braz Esteves, Sebastião Leme do Prado (parente de Fernão Dias, o que faz supor tenha partido deste a sugestão de por ali se internar à frente da primeira leva que devassou o local da futura Vila), e seus acompanhantes: irmãos Francisco e Domingos Dias do Prado. E é de se assinalar que a principal artéria urbana da atual cidade de Minas Novas tem o nome de “Sebastião Leme do Prado”.

Depois do devassamento e já criada a “Vila de Nossa Senhora do Bom Sucesso de Minas Novas do Arassuahy”, fez-se ali sentir a influência – ora baiana, ora paulista – na sua vida comunitária, costumes e várias de suas manifestações.

O primeiro “juiz de fora” togado que para ali vai com a “vara branca” do cargo (os ordinários, locais, eletivos ou de vintena – usavam-na de cor vermelha) é de origem baiana – o Dr. Bartolomeu José Vahia; o segundo, cronologicamente, é um paulista vindo da Vila de São Sebastião e formado em Coimbra em 1824 – o Dr. Francisco Lourenço de Freitas.

E a influência ali das cousas ou fatos ligados a São Paulo, age de tal forma que ilustre mineiro de Piranga – Justiniano Coelho Duarte – pai do que viria a ser o patriarca de uma das famílias tradicionais de Minas Novas, adotou o sobrenome “Badaró” acrescentando-o aos de Coelho Duarte, desse modo agindo levado pelo sentimento patriótico nativista que lhe despertara o assassinato na capital paulista a 20 de agosto de 1830 do médico e jornalista italiano – Giovanni Líbero Badaró, Diretor do Observador Constitucional” – quando apoiava e estimulava o movimento nacionalista, precursor da Abdicação de D. Pedro I a 7 de abril de 1831. E, assim, irradiando de Minas Novas pelos seus descendentes para todo o Brasil, o culto perene à memória daquele mártir.

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Fica assim, linhas atrás, convenientemente explicado o interesse de um paulista integrado há mais de meio século na comunidade e família mineiras – como me prezo de estar- pelas cousas de Minas Novas, onde aquele que viria a ser meu avô paterno ali exerceu, de 1825 a 1828, a primeira função pública de magistrado. Lá deixou ele traços marcantes de sua vigorosa personalidade, despachando processos e autos, muitos dos quais vinham do tempo da Colônia e do Reino Unido, originários que eram alguns deles de muito antes de 1808.
Essa afanosa vida e o cenário onde ela transcorreu – primeiro aqui em Minas, antes de decorrer em nossa terra paulista – procurarei relatar em alguns lances incisivos, filiando-os à sua genealogia ancestral e nomeando-lhe os descendentes.

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Dois ramos diferente de “Freitas”, vindos de Portugal, chegaram ao litoral paulista em duas épocas próximas e ali mesmo radicaram-se os do segundo ramo, antes de irradiarem para o interior paulista, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

O primeiro ramo, pouco mais anterior nessa vinda – os Nunes de Freitas – criaram raízes na Ilha de São Sebastião, na “Vila Bela da Princesa” ao depois de terem alguns deles exercido funções públicas na “Vila de São Sebastião”, no litoral a ela fronteiriço, onde João Nunes de Freitas, oficial de “Ordenanças” de S. Sebastião em 1727, é promovido ao posto de “Sargento-Mór da Vila de São Sebastião e seu Distrito”, cargo que exerce até o ano de 1733.

O segundo ramos, aportando em São Sebastião em meado do século XVIII, os Lourenço de Freitas, menos andejos e sempre avessos às especulações de ordem mercantil, traziam a tinêta avoenga – cultura, amanho do solo, e estudos de todas as letras, sagradas e profanas – mantendo e honrando a tradição herdada e vinda do Minho e de Coimbra.

O representante-padrão deste ramo de Freitas foi o Dr. Francisco Lourenço de Freitas cuja vida procurarei focalizar. Seu pai, Antônio Lourenço de Freitas – portugues, natural de “S. Miguel de Fontoura”, termo de Valença do Minho, arcebispado de Braga – era filho do casal José de Freitas e D. Luiz Lourenço, sendo J. de Freitas filho de Bento de Freitas e D. Marianna Ferreira, todos estes também da referida localidade: “S. Miguel de Fontoura, arcebispado de Braga”.

Antonio Lourenço de Freitas, nascido em 1758, casou-se em 1783 na Vila de S. Sebastião (onde adquirira prestígio, riqueza e posição social saliente como Sargento-Mór local) com D. Antônia Maria Pinheiro, Essa D. Antonia M. Pinheiro, ou D. Maria Antonia Pinheiro, era filha do Sargento-Mór Manoel Dias Barbosa e sua mulher D. Ignácia Gomes de Moraes. Teve o casal Antonio Lourenço de Freitas – D. Antonia Maria Pinheiro, os seguintes filhos com assentamento na “Genealogia Paulistana” de Silva Leme, Título Lemes, cap. 5º, pag. 483:

1-  Anna Josepha, casada em 1805
2-  Maria, casada com Antônio de Carvalho, da Praia Grande
3- Gertrudes, casada c/ seu primo Manoel Dias Barboza Sobrinho
4- Rita
5- Ignez
6- Antonio Lourenço
7- Manoel Lourenço
8- José Lourenço
9- Francisco Lourenço

Desses nove filhos, alcançaram maior projeção o 7º e o 9º. O 7º, nascido em 1795, ordenado sacerdote em S. Paulo, com processo “de genere” arquivado na Cúria Metropolitana, veio a ser, cronologicamente, o 13º Vigário da Vila de São Sebastião. Morava em sua companhia a irmã mais velha. Anna Josepha, que batizou com o capitão Domingos de Freitas o seu irmão mais moço, Francisco Lourenço de Freitas. Este último – aos 17 anos de idade – tendo já se preparado em instrução primária e secundária em S. Sebastião, foi mandado em 1819 por seu pai a Coimbra para lá se bacharelar, pois que não havia ainda no Brasil escola desse nível superior, o que viria a ser feito pela Lei de 11 de agosto de 1827, assinada pelo Visconde de S. Leopoldo, Ministro do Império, criando dois Cursos de Ciências Jurídicas e Sociais, um na cidade de S. Paulo, outro na de Olinda.

A 26 de junho de 1824 – contando 22 anos de idade – recebia ele seu diploma de bacharel pela Universidade, talvez a mais antiga da Europa, pois que – fundada em Lisboa em 1290 por El Rey D. Diniz, da Dinastia de Borgonha – fora transferida para Coimbra em 1308 pelo mesmo Rei.

Regressando de Coimbra para S. Sebastião, logo em seguida, 1825, segue para a Vila de N. Senhora do Bom Sucesso de Minas Novas do Arassuahy – pouco antes desmembrada do foro civil da Província da Bahia – para desempenhar o encargo de Juiz de Fora. Nomeação essa provinda das autoridades judiciais do Império, na vigência do 3º Gabinete da então recente Monarquia, presidido por Estêvão Ribeiro de Resende, Marquês de Valença, sendo a pasta da Justiça ocupada por Clemente Ferreira França (Marquês de Nazareth).

Em Minas Novas pude encontrar – profusa e variada documentação de sua permanência naquela longínqua região, àquela época de difícil acesso, porém certamente mais importante, povoada e rica do que a que eu visitava, pelo que pude depreender vasculhando seus Cartórios e interpretando-lhes os documentos que examinei que pude merecer de dois intelectuais dos quais aproximei e tornaram-se meus amigos: o Dr. Antônio Mello Martins, Promotor de Justiça, e o Farmacêutico Agenor Santos.



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JUÍZES DE FORA

A origem do título “Juiz de Fora” e a própria função que lhe era atribuída, são antiquíssimas. Datam de 1352, como se poderá recordar.

D. Afonso IV – Rei de Portugal, da dinastia Borgonha, que em 1325 sucedeu a D. Diniz – foi quem principiou a mandar “Juízes de Fora” para residir em lugares do Reino durante um certo tempo. Vale dizer, juízes de fora permanentes e não ambulantes como os corregedores “por presumir o direito que, sendo estranhos, sem na terra terem parentes nem amigos, compadres, companheiros e bem ou malquerenças, ódios com outrem – podiam resistir às prepotências dos poderosos, castigar os seus excessos sem ficar expostos à vingança dos mesmos poderosos e, assim fazerem melhor justiça do que os naturaes das terras”. (Resumo este de sua Carta de Ley, datada de 1352).
Com a chegada desses juízes cessava a jurisdição dos juízes ordinários ou juízes eletivos. Para esses cargos de Juiz de Fora, principalmente para lugares de maior importância (e era tal o caso de Minas Novas em 1824) exigia-se expressamente que os nomeados fossem “leterados e entendudos”, como eram conhecidos os juristas.

A atual cidade de Juiz de Fora, demarcada em 1840 pelo engenheiro geógrafo Henrique Guilherme Fernando Halfed, homenageia essa magistratura de vara branca (os ordinários, eletivos, da terra, usavam-na de cor vermelha) pois que o lugar é a antiga povoação de “Santo Antônio do Parahybuna de Juiz de Fora”, elevada a Vila em 31 de maio de 1830 e a cidade a 2 de maio de 1856, com o nome resumido atual de Juiz de Fora.

A organização judiciária do Brasil ao tempo da Colônia e do Reino Unido, prevalecendo até quando se operou a Independência, compreendia os seguintes titulares: Desembargadores, Corregedores, Provedores, Julgadores, Juízes de Fora, Juízes Ordinários, Juízes de Vintena (espécie de Juízes de Paz), Alcaides, Ministros e Oficiais de Justiça e de Vintena;

Advogados formados em jurisprudência, poucos havia no interior do país, pois que raramente os vindos da Coimbra se disponham a se internarem pelos sertões. Supria-se-lhes, então, a falta com a prata da casa: os solicitadores “licenciados” – antecessores dos rábulas – e aqueles sapientíssimos reverendos versados em “Cânones”, que enxertavam o latinório, mais como prova de erudição do que mesmo para apoiar e reforçar os argumentos expendidos.

Os mais antigos papéis do foro, por mim pacientemente compulsados em Minas Novas, que fazem referência alguma a Juízes de Direito. Mas em grande número deles se lê que “o vereador mais velho, na forma da Ley, estava desempenhando atribuições de Juiz de Fora, distribuindo Justiça nas povoações do Termo e sujeitas à Vila”. Em certo processo encontrei também que o “Presidente da Câmara de Vereadores, na forma da Ley, estava desempenhando atribuições de Juiz de Fora em logares compreendidos no Termo”.

Vale a pena explicar que a denominação de “Vila” aplicava-se sob o ponto de vista administrativo; a de “Termo” correspondia à alçada judiciária; a de “Comarca” atendia a uma e outra dessas alçadas,administrativa e judiciária. “Diocese”, Freguesia” e Paróquia” eram divisões oficiais de âmbito eclesiástico e que intervierem, em parte, nas outras alçadas até que se separou a Igreja do poder civil, em 1891.

Grande, e por vezes ousada, a preponderância e indicativa desses magistrados de “vara branca”. Por exemplo depois da posse do primeiro Presidente da Província de São Paulo – Lucas Antônio Monteiro de Barros, Visconde de Congonhas – ocorreu em Taubaté a rebelião do seu Juiz de Fora, Cel. Manoel da Cunha Azevedo Coutinho Souza Chinchorro que proclamou na velha cidade (fundada pelo Sargento-Mór de Santos, Jaques Felix, em 1636) nada menos que o “regime absoluto”. E o mais interessante e típico do prestígio d autoridade rebelada contra a Constituição recém outorgada, a 25 de março de 1824, é que esse movimento foi acompanhado por algumas localidades da Província, próximas do Vale do Parahyba.

Juízes de Fora foram criados em Vilas de Minas Gerais antes de o serem para outras Vilas mais antigas de S. Paulo. Assim, na Vila de N, Snra. Do Bom Sucesso de Minas Novas do Araçuaí o juizado de fora foi criado por alvará de 22 de janeiro de 1810, ao passo que na Vila de S. Sebastião essa criação somente seria feita 7 anos depois, isto é, pelo Alvará de 9 de outubro de 1817. Releva notar-se que denotava isso ser a primeira mais importante e culta que a segunda e merecendo, portanto, maios cedo a presença daqueles “leterados e entendudos”. No entanto, S. Sebastião tinha nessa ocasião renda anual só inferior à das cidades de S. Paulo e de Lorena, e superior às de Taubaté e Itu. Mais ainda: Lorena, minha terra natal, a esse tempo era tão importante financeiramente que uma de suas artérias urbanas denominava-se “Rua dos Ourives”. Decorrência isso de seus opulentos fazendeiros de café, com suas residências na cidade e por isto necessitando de ornamentos para jaezes e seges de seus usos, ali fabricados pelos ourives.


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Curiosíssimo o que se nota em certos autos por mim folheados em Minas Novas: citações em latim por parte dos reverendos advogados e até dos solicitadores. Mas nos despachos, às vezes longos, do “Juiz de Fora” Dr. Francisco Lourenço de Freitas nunca precisou ele se apoiar nessa exibição de sabedoria. Num deles cita e comenta um “Ato de 1690”, evidentemente das “Ordenações do Reino”, e fulmina os arrazoados sapientes dos Reverendos, diplomados em Cânones.

Mais instrutivo ainda o que se depara em autos de Processo iniciado muito antes da Independência e vem por ali afora se arrastando até que, em 1826, esse mesmo Juiz de Fora remata o curso, que parecia interminável, da arenga (Querela) como era então chamada na linguagem forense. Tinha ela ido até à “Casa de Suplicação do Brazil, na Muy Leal e Heroica Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro” e de lá viera gastando, só de volta – com escala obrigatória pela Vila do Príncipe, sede da Ouvidoria, cerca de 10 meses – aí incluída a indispensável e rápida demora no Foro desta última.

E era característica da época e do meio rural o assunto versado na “falsa querela”, como a chamou o Rev. Advogado do acusado. Vinha a ser a imputação de roubo praticado por um graúdo a outro milhafre, seu vizinho, da sua esposa e mais 100 mil reis” em dinheiro de prata, afora fazenda seca avaliada em 200 mil reis”. Pareceu-me, da leitura dos autos, que o traído, abandonado esposo, teria dado mais apreço às “pratas” e {a “fazenda seca” do que propriamente à sua “cândida” esposa que não seria, por certo, fazenda tão seca. Teria ele, talvez, suas razões íntimas para tal juízo, conforme deixa discretamente transparecer o atilado Ver. Advogado do acusado.

Essa “Casa de Suplicação do Brasil” – precursora do atual Supremo Tribunal Federal, ora vegetando em Brasília reduzido no número de seus membros e de suas atribuições – já era uma unificação do que, em 1808, D. João VI aqui tinha encontrado com as duas “Relações”, a da Bahia e a do Rio de Janeiro, na Cúpula do aparelhamento judiciário do Reino Unido. Os órgãos da judicatura no Brasil, àquela época recuada eram: Corregedores de Comarca, Ouvidores Gerais, Provedores, Contadores de Comarca, Juízes Ordinários e de Órfãos (eleitos), Juízes de Fora, Jurados, Juízes de Vintena.

Tão acidentada e longa era a viagem para Minas Novas – ao tempo em que o Dr. Francisco Lourenço de Freitas foi ali servir como Juiz de Fora – que em pleno 14 de outubro de 1822 (pouco antes, portanto, da ida do juiz paulista para lá em 1825), que encontrei quando ali estive demoradamente em 1960, um Processo digno de menção interpretativa. Nele se diz – quando o Imperador D. Pedro I já tinha sido aclamado solenemente no Rio de Janeiro, a 12 de outubro de 1822 – a fls. 42 verso do mesmo: “Dom Pedro de Alcântara, Príncipe Real do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves – Regente deste Reino do Brasil e nelle Lugar Tenente de El- Rey meu Senhor e Pae, etc.”. Isto assim era dito ingenuamente e assinado a 14 de outubro de 1822 na Vila do Príncipe, pelo “Ouvidor Geral e Corregedor da Comarca, em nome de sua Alteza Real, o Príncipe Regente do Brasil”.

A notícia da Independência só veio a chegar na Vila do Príncipe, sede da Comarca do Serro Frio, em abril de 1823 e em Minas Novas muito depois – entre agosto e outubro desse ano – isto é, quase um ano depois de 7 de setembro de 1822.

Talvez tenha havido cautela a respeito de boatos presumidamente falsos ou se tenha aguardado a rendição do General Madeira, na Bahia, a 2 de julho de 1823, pois que as distâncias do Rio de Janeiro à Vila do Príncipe e a Minas Novas, pelos caminhos então existentes – segundo o fidedigno padre Ayres do Casal – eram, respectivamente, de 99 e 135 léguas. E estas vencíveis a cavalo, àquela época, em 15 a 20 dias para a primeira e 38 a 40 dias para a segunda.
Para afirmar esta última assertiva, basta que se diga, por exemplo, que a notícia da Abdicação de D. Pedro I, no Rio de Janeiro, a 7 de abril de 1831, chegou à Vila do Príncipe na noite de 22 daquele mês e ano.


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MINAS NOVAS – TRADIÇÕES ORAIS – INFLUÊNCIA NO DESTINO DO “ALFERES DA LIBERDADE”.



Escritos de alguns, e escassos, cultores da história pátria trazem às vezes alguma luz sobre o passado de Minas Novas. O mais corrente, no entanto, é sair ele um tanto “confuzionado”, como acontece naqueles luxuosíssimos cartapácios editados pelo IBGE e redigidos pelos literatos ficcionistas da Estatística. É que em Minas Novas não há quase tradição, veraz, escrita conservada; o que prevaleceu sempre foi a tradição oral, moldada ao sabor dos que a transmitem, torcendo-a não raro, seja por ingenuidade seja por exagero enfático de apreciação regional.

A despeito disso, há ali elementos para ser reconstituído um passado de que nos devemos orgulhar. Naquela região se encontram os mais antigos devassadores dos nossos sertões; uns, vindos do sul – os paulistas – e outros, caminhando ao arrepio das correntezas do rio de S. Francisco e do Jequitinhonha – os nortistas. Trazendo os do sul – gado para engorda e alimento das levas andejas; os instrumentos; as ferramentas; a pólvora para os mosquetões – em troca com os do norte, do sal gema local; couros crus e mantimentos de cultivo regional.

Disputam entre eles, nem sempre em boa harmonia, e já preparam aquela grande confusão ainda não de todo esclarecida (Capão da Traição) na nossa História: a Guerra dos Emboabas.

O chamado “ciclo do couro” de que nos fala Capistrano de Abreu, deixou ali indeléveis traços de sua permanência: não só vestuário, chapéu, utensílios mas até mesmo em pertenças de fabrico de habitações. É que o minério de ferro não existia por ali naquelas alturas setentrionais e era o boi que o devia substituir; catres, alforjes, portas, cordas, sacos, cornetas, caxambus, tabaqueiras, tudo tinha que ser fabricado com auxílio do boi.

O saudoso Guimarães Rosa – grande observador das nossas cousas rurais – descreve cenas em que, nos vãos externos das habitações, couros crus esticados se ostentam, protegendo-as do vento e da chuva e ao mesmo tempo servindo de anteparo a balázios de visitantes inamistosos.

Mas o mais curioso pude eu ver em Minas Novas: Ali como em frente a Malhada, na margem direito do Rio de S. Francisco, lado de Minas, encontrei tiras de couro cru, juntando as ripas aos caibros e substituindo pregos que, tanto numa como na outras dessas regiões, não havia nem se podiam fabricar, por falta de minério de ferro. Chegou-se ao cúmulo de usar essas tiras de couro cru, ligando adobes como amarrilhos em paredes que lá estão no “Sobradão”, desafiando as intempéries. E o que permaneceu mais estável sempre no mesmo tom, foi a tradição de certas usanças e festejos: o “mutirão” (“puxirão” paulista); a “festa da capina”, a “festa do doce” no dia do Reinado. O “velório”, forma originalíssima de mutirão creio que ainda inédita em seu registro antes deste. O “velório”, genuinamente nortista-baiano, com cantigas – as “inselências” – dirigidas ao defunto exposto na entrada da habitação – exaltando-lhe os méritos e façanhas -- entremeadas de distribuição profusa de comida, de farofa de galinha e repetidos goles de cachaça servidos ao auditório – tudo para espantar o frio da noite tanto quanto o maior inimigo do tabaréu: o “tinhoso”, o “pé de pato”, o “chifrudo”.

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Não obstante ser um tanto demorada, vale bem a pena uma viagem a Minas Novas, a passeio. Existisse ali um bom hotel, diria eu mesmo que deveria ser estimulado o turismo histórico, para constatar muita coisa que não se vê em nenhuma outra cidade antiga de Minas ou da Bahia.

Não só o “Sobradão”, o mais alto edifício de adobes com pés direitos de esteios de madeira de lei que se levantou no Brasil àquela época, chama a atenção dos que ali chegam, O sobrado em que estão agora instalados os Correios e Telégrafos – grandioso como os vetustos prédios coloniais – com porta ampla na frente, trabalhada em almofadas salientes, característico do barroco, e ornada de aldrabas de ferro, vistosas e funcionais, para as pancadas de aviso e chamada – serviu de sede para a “casa dos contos” (ou dos “Quintos”) em que se avaliava a taxação do ouro a ser expedido para fora, para as “Casas de Fundição” onde seriam tornadas barras, com o respectivo timbre calcado em uma das faces.

Defronte quase desse sobrado, em rua estreita, está a Capela de São José, igreja diferente de todas as outras talhadas pelo risco antigo e ali apresentando linhas originais, não existentes em nenhum dos templos antigos das cidades coloniais de Minas Gerais e, mesmo, de todo o Brasil incluída a Bahia.

Lembrando, por fora tanto como por dentro – não obstante as modestas proporções do conjunto – as igrejas-catacumbas dos antigos cristãos ou, mais propriamente aquelas capelas de Portugal do tempo das pelejas com os Mouros, quando ainda não se cuidava do estilo barroco.

É que está ali magnificamente representado o estilo “copta”, trazido até Minas Novas pelos frades franciscanos e capuchinhos, que chegaram àquelas paragens nos albores de sua descoberta e se dedicaram à catequese dos índios “Botucudos” aguerridos, aldeiados no “Alto dos Bois”. A “galilé” da entrada da capela é típica e só ela seria bastante para caracterizar, identificando-o, o referido estilo de que está ali em Minas Novas, talvez, o único exemplar no país reproduzindo como que em miniatura, a Igreja Cristã de Alexandria.

Outro monumento que se impõe à nossa veneração, está ali no Largo da Matriz. Por sinal que a antiga Igreja de S. Pedro – Padroeiro de Minas Novas – não mais existe, pois foi vandalicamente demolida em 1922, sob o pretexto de ser ela de adobes e ter grandes peças de madeira de lei que poderiam ser empregadas na construção de ponte sobre o rio Fanado, o que veio a ser feito e levada a ponte por enchente do mesmo, pouco depois... O referido monumento é a pequena casa térrea no alinhamento da praça (àquela época casa de maiores proporções no lado trazeiro) onde se hospedou Joaquim José da Silva Xavier em 1768, quando lá esteve – tropeiro e “pixileiro” (funileiro) que era, a caminho da Bahia.

Ali naquele Largo, frente à casa modesta em que se hospedou, deu o futuro Alferes da Liberdade o primeiro testemunho de sua inconformação com a Tirania, protestando aos berros e, depois, agredindo a murros e pontapés um “comboieiro” de escravos que os trazia à venda e espancava-os naquele “Kaquende”.

Preso – em cadeia que não deixou vestígios para sua localização por mim tentada quando lá estive, levando-me supor ter sido detido em interior de capela, já desde há muito demolida – suportou ele a prisão durante cinco dias e viu-se depois reduzido à miséria por ser obrigado a vender a sua alimária e pertences, tais os ônus da “carceiragem” que teve de enfrentar para se ver solto.

Foi essa, afinal, a causa de ter ele, na sua volta para Vila Rica e de lá para o Rio de Janeiro, em 1769, com 22 para 23 anos de idade assentado “praça” no Esquadrão de Cavalaria da Guarda dos Vice-Reis, no Rio de Janeiro, onde serviu até junho de 1776.

E vem a propósito esclarecer que o futuro Alferes assentou mesmo praça de soldado ou anspeçada em 1768 e não como diz o Sr. Herculano G. Mathias em seu recente livro “Tiradentes através da Imagem” a pag. 12: “... sentando (sic) praça a 1º de dezembro de 1775, investido diretamente, nesse dia, na graduação de alferes”.

A casa em que se arranchara o “pixiliero” Joaquim J. da Silva Xavier era de propriedade do Capitão de Cavalaria Auxiliar – Domingos de Abreu Vieira – antigo vereador do “Senado da Câmara” de Minas Novas, o qual se não pôde livrar o seu arranchado da cadeia e das custas elevadas da “carceiragem”, ao menos deve ter influído na sua aproximação de círculos militares para posterior ingresso no aludido “Esquadrão de Cavalaria”. Fica assim mais aproximada da verdade – do que a referida no livro do Sr. Herculano Mathias, a pag, 12, em que palpita ter havido redução de soldos e expedição de convites para ingresso na Cavalaria Paga – a admissão de Joaquim José da Silva Xavier na carreira militar.

A amizade entre ele entabulada em Minas Novas veio a se estreitar e Domingos de Abreu Vieira, português de origem, já então Tenente-Coronel, seduzido pelas ideias de emancipação do Brasil pregadas pelo seu antigo hóspede, de quem se tornara amigo e admirador, veio a tomar parte saliente e atuante na “Conjuração Mineira”.

Pena é que se tenha prestado ao triste papel relatado no “Documento de Évora” em que ignominiosamente se assina, dirigindo-se ao Visconde de Barbacena: “... seu Humilde escravo”.

Mas isso não tira de Minas Novas o seu maior galardão cívico: o de ter propiciado o destino glorioso do “Alferes da Liberdade”.



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MINAS NOVAS E O PROBLEMA MÁXIMO DA REGIÃO EM QUE SE SITUA


Minas Novas, desde quando subordinava exclusivamente à Bahia, teve o seu grande problema posto em equação e não resolvido até os nossos dias: o da comunicação com o mar e com o resto do país, notadamente com a sede do governo da Província depois Estado, vale dize com a Belo Horizonte de agora.
Sua posição geográfica naquela latitude semelhante à de Guaicuí, no Rio das Velhas, mas sem o Rio de S. Francisco como estrada rolante; sua quase impenetrabilidade defendida por elevados divisores de águas, fizeram sempre da região um refúgio. O tema é digno de maior estudo sociológico: o que poderia explicar não terem ali imperado “mandões” armados de gatilho como os teve a região sanfranciscana. O tipo de devassadores, e a época relativamente recente dos descobertos, em parte explicam o fenômeno. Mas a própria falta de caminhos fáceis é que cabalmente esclarece tudo.

O que é fato é que aquele isolamento sempre impressionou os filhos ilustres da região. Recordemos alguns desses pronunciamentos.
“Em 1811 o Cel. Bento Lourenço Vaz de Abreu e Lima fez exploração de uma estrada pelo Vale do Mucury até S. José do Porto Alegre, pretendendo ligar o norte de Minas ao litoral”.

Esta exploração, como muito bem disse o Dr. Miguel de Teive e Argollo, em seu opúsculo – Viação Férrea do Norte de Minas – “attrahiu a atenção do ilustre ministro de D. João VI, o Conde da Barca, o qual mandou abrir uma estrada que de Minas Novas se dirigisse ao Oceano. E, para maior equilibrilidade de tão grandiosas ideias, mandou fundar pelo seu agente, Joaquim Marcelino da Cunha, em Caravellas, uma fazenda de culturas nas margens do Mucury, a 72 quilômetros acima de S. José de Porto Alegre, estabelecimento este que foi depois abandonado por causa dos ataques de índios, tendo-se também deixado de levar a efeito a estrada com a retirada do Conde da Barca para Portugal”. Das “Notas Históricas do Município de Theophilo Ottoni” por Reinaldo Ottoni Porto.

Mais tarde, 1836, o presidente da Província de Minas, Desembargador Antônio da Costa Pinto – mandou explorar as matas compreendidas pelos vales dos rios Mucury e Todos os Santos, no intuito de escolher um lugar em que pudesse estabelecer uma colônia de degredados e vagabundos. Era a velha mania de tentar a colonização rural e regeneração de malandros com os elementos indesejáveis nas cidades. O engenheiro Pedro Victor Renault, encarregado dessa exploração, apresentou um circunstanciado relatório, nele citando: “... o estado de decadência em que encontrou a Vila de Minas Novas e atribuindo-o ao esgotamento das terras de cultura e à obstrução das lavras de ouro, devido ao sistema obsoleto de “talho aberto”. Essa judiciosa e avalizada opinião viria a ser mais tarde reforçada, em fevereiro de 1851, pelo então engenheiro militar, então capitão, Inocêncio Veloso Pederneiras que atribuía o declínio das minerações de ouro de Minas Novas como consequência da melhor vantagem econômica da exploração de Assuruá, na Comarca de Xique-Xique, na Bahia. Essa iniciativa arrojada fora de Paulo de Frontin conforme pude recordar em conferência pronunciada por mim na Sociedade Mineira de Engenheiros, em 1960, ao ensejo do transcurso do 1º Centenário do seu nascimento. Nela relatei o detalhe significativo de ter Frontin, pessoalmente, dirigido a canalização d’água na extensão de 40 quilômetros, em caminha aberto na selva com extensão de mais de 400 quilômetros, a partir da última estação da estrada de Ferro.

O notável Relatório do Eng. Militar Inocêncio Velo Pederneiras, reproduzido no “Dicionário Geográfico do Brasil”- explicando-lhe a origem – do declínio do índice demográfico de Minas Novas em passado recente quando relata: “Sua população urbana intramuros apenas tocará 3000 almas, isto é, menor do que pode comportar o número de seus prédios, o que é, sem dúvida, uma justa expressão do decrescimento do seu comércio. Pouco tem a fazer o camponês em uma povoação onde não encontra mercado para o produto de sua lavoura, e não mais numerosos são os mercadores que queiram aceitar, em troca de suas fazendas, objetos que eles não podem entregar aos seus credores em satisfação aos seus compromissos”.

Tudo isso, no fundo, consequência forçada pelo declínio das minerações agravadas pela dificuldade de acesso àquelas paragens outrora florescente e povoadas.

Bem dizia o já citado Dr. Victor Renault: “Com a navegação do Mucury, o Governo poderá tirar da penúria a que está entregue a Comarca de Minas Novas”.

Sua exposição, apoiada pelos Srs. Cel. Honório Esteves Ottoni, Antonio Joaquim César, Francisco Fulgêncio Alves Pereira e Silvério José da Costa, foi enviada ao Palácio do Governo Provincial de Minas, em Ouro Preto, a 18 de maio de 1846 e naquela viagem sem volta e sem despacho, deve agora estar gozando a placidez do nosso venerando “Arquivo Público Mineiro”.

Não desanimaram, no entanto, os Ottoni e em 1847 segue-se a organização da “Companhia do Commercio e Navegação do Rio Mucury” dirigida por Theophillo Benedicto Ottoni. Datavam de 1841 os primeiros esforços empregados por ele na abertura de comunicações do norte de Minas Gerais com o mar. Entendia ele que seriam mais bem empregados os esforços e recursos para ligar, por estradas e navegação dos seus rios, o norte de Minas com o Rio de Janeiro e com a Bahia – nos portos de mar de Porto Seguro e Caravelas – do que para ligar Mariana e Ouro Preto ao Porto de Vitória pela “E. F. Victória a Minas” aquele mito que consumiu tantas verbas e deixou sem ligação vários trechos atacados.

E o algodão de Minas Novas, famoso desde antes da visita de Saint-Hilaire e por ele citado em admiração de 1818, só esse justificaria uma ligação mais para o norte, porque mais próxima dos centros de consumo europeu.
Hoje a situação não está radicalmente mudada: se não temos ali, como outrora, o algodão selecionado para exportar, tem a região pouco mais ao sul o abundante e excelente minério de ferro que mais economicamente se beneficiaria sendo exportado pelos aludidos portos.

A respeito da iniciativa de Teófilo Ottoni, relata Cristiano B. Ottoni: “... faz nascer e mostrou ser praticável uma ideia política, aceita pelo Marquez de Paraná, advogada por vários deputados, mui bem recebida pelas populações a quem interessava”.

Trata-se de criar uma nova Província contendo a comarca de Jequitinhonha e parte das do Serro e S. Francisco, em Minas Gerais, a de S. Matheus no Espírito Santo; as de Caravelas e Porto Seguro na Bahia. Facilitaria isso o roteamento de extensíssimas matas e daria à Província de Minas Gerais um porto de mar, libertando-a da alfândega do Rio de Janeiro.

Com tanta confiança se entregou Teófilo B. Ottoni à árdua tarefa que em 1853 se decide a fundar a cidade de “Philadelphia” (hoje Teófilo Ottoni) e desenvolve e acoroçoa ali a colonização de imigrantes alemães, e um engenheiro dessa nacionalidade é por ele posto à frente de vários empreendimentos: o Eng. Shloback. Um esforçado e culto engenheiro naval, então 1º Tenente, José Carlos de Carvalho (que viria mais tarde, em 1888, a se notabilizar pelo transporte até o Rio de Janeiro do meteorito “Bendengó”, caído em 1784 à margem do riacho Bendengó na “Villa de Monte Santo” do sertão da Bahia, também presta em 1853 seu concurso nos estudos e “reconhecimentos” da estrada de Santa Clara. Colaborando assim para a ligação de “Alto dos Bois” – a 10 léguas de Minas Novas – com a cidade de Filadélfia. Lutou Ottoni pela sobrevivência da Companhia por ele organizada e pela realização de seus patrióticos objetivos, mas o ministério de 1º de agosto de 1860 na pessoa do Conselheiro Luiz Pereira do Couto Ferraz, Ministro da Fazenda, fez-lhe guerra surda, que haveria de solapar aquele generoso programa apenas iniciado. Mas Teófilo Ottoni não cedeu desde logo. Sabendo que no regresso da viagem ao norte do Brasil o Imperador D. Pedro II passaria pelo Canal de Abrolhos, dirige-se até lá para recebê-lo e ao mesmo tempo solicita, por carta, às autoridades de Minas Novas, que o secundem...

Tudo, no entanto, debalde. E ele mesmo relataria depois: “As esperanças eram por demais lisonjeiras, mas desvaneceram-se todas na tarde de 25 de janeiro de 1860, na barra de Caravellas, e com mais presteza do que a fumaça dos navios da esquadra Imperial, que se desligou por aqueles mares e, rápida, desapareceu no horizonte deixando-nos descoroçoados”.


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Um outro homem ilustre daquela região – o Dr. Francisco Coelho Duarte Badaró, nosso antigo representante na Corte Pontifícia, em Roma, quando Senador estadual em 1919, no governo Arthur Bernardes, fez extensos comentários na Assembleia Estadual e estrenuamente trabalhou pela intercomunicação por estradas e pela ligação daquele norte mineiro – rico e isolado – com o litoral. Lembrava ele, com muito acerto: “Desatravancar um rio é mais econômico do que construir uma estrada de ferro”.

Não faltou, portanto, o concurso e a tenacidade da parte dos filhos daquela região para tirá-la do isolamento e do marasmo.

Depois, voltou o angustiante problema à baila e três modalidades de providências se impõem, hoje como outrora:

1º - Estradas de rodagem que permitem e incrementem o Turismo.

2º - Ligação com o porto de Caravelas, na Bahia, (tornado accessível aos navios de grande calado), no que só diminui a distância para o embarque do minério de ferro como o aliviaria nas taxas do transporte para os Estados Unidos e Europa. O excelente minério de ferro da zona de Itamarandiba (vastíssimos depósitos de hematita compacta, com 68,6 por cento de ferro, isenta praticamente de fósforo) só ele justificaria esse programa,

3º - Interligação da Vitória-Minas, Central do Brasil e Leste Brasileiro. Isso ao invés de extinguir a Bahia - Minas, deficitária porque justamente ali é que se processa um espantoso estrangulamento da economia da região centro-leste do país.

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NOTA DO EDITOR
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Tomei a iniciativa de compilar esse texto com o objetivo de levar ao conhecimento de meus conterrâneos um pouco da nossa história, escrita por um cidadão que foi movido tão somente pelo interesse de pesquisar a vida de um de seus ancestrais que, lá no final do século XIX, exerceu em nosso município o importante cargo de “juiz de fora”.

O autor dessas memórias históricas, para nossa felicidade, cumpre um grande serviço ao nosso município, descrevendo de forma espetacular um período do qual não se tem outros registros, como de resto quase nada se registrou a respeito de nosso passado, em razão do desleixo ou da omissão que bem caracteriza as nossas lideranças, que muito pouco ou quase nada fizeram no sentido de se preservarem os documentos que noticiassem à posteridade sobre os feitos que se realizavam no cotidiano de nossa comunidade.

Sendo assim, sem querer me apropriar de qualquer mérito que não seja o de ter realizado a pesquisa, deixo bem clara a minha intenção que é a de facilitar estudos, preservar nossa história, ao tempo que louvo a importância daquela autoridade judicial, pioneira de nossa Comarca, que muito honra nossa história, assim como devo registrar a grandeza de seu neto, como pesquisador, como historiador e, acima de tudo, como zeloso descendente que procurou – de forma exemplar e admirável – buscar na fonte os registros sobre a memória de seu digno ancestral, um homem digno de todo nosso respeito e elevada consideração.

Espero, desta forma, que este trabalho não esteja ferindo direitos de terceiros, mas que sirva de incentivo aos estudantes de meu município que queiram se dedicar à pesquisa e conhecer mais um pouco sobre a história de Minas Novas, um dos municípios mais antigos de Minas Gerais e que não tem merecido, por parte dos estudiosos em geral, a dedicação de maiores aprofundamentos na apuração de sua origem e de sua trajetória na formação cultural, política, econômica e social da vida brasileira.

Belo Horizonte (MG), novembro de 2015

Geraldo Magela Mota Coelho






[1]Lindeira Que está na divisa, confrontante.  - Imóvel lindeiro, aquele que confronta.
[2] - devassamento (substantivo masculino) - 1.ato ou efeito de devassar. 2. ato de penetrar no que está defeso e/ou espreitar o que aí se passa.


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