segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

MINAS NOVAS É TERRA DE DOIDO???


MINAS NOVAS - TERRA DE DOIDO.

 

Viajando pela WEB tive a grata satisfação de ler um artigo, assinado pelo jovem SAMUEL GOMES FERNANDES, que é sobrinho de Fernando Fernandes Filho (nosso assíduo leitor), neto, portanto, do nosso bom e dileto amigo Fernando Fernandes, este que é, por sua vez, tio do meu ex-colega de BB Fernando Fernandes Sobrinho (*).

Trata-se de um interessante trabalho escolar em que o referido aluno, de forma brilhante, faz uma completa retrospectiva sobre figuras populares de nossa cidade, com o título de "MINAS NOVAS, TERRA DE DOIDO", o qual transcrevo abaixo:

 

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"24/11/2008

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Minas Novas - Terra de doido.


Todos dizem que minha cidade é terra de doido.

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Minha cidade tinha muitos doidos, contou-me vovô.

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Cada doido mais doido e com suas manias, suas esquisitices.

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E vovô fala-me de cada um com tanto carinho, que dá vontade de conhecer Bastiana Doida, Bastiana Mingau, Onofre, Zezé Reverth, Biela, Varistinho, Rita Pezinho, Modesto e tantos outros que povoam a imaginação do povo daqui.

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Todos doidos, mas doidos mansos, boa gente!

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Vovô falou de Modesto - de poste em poste - batendo e ouvindo.

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Ouvia sons imaginários e repetia-os a quem quisesse ouvir, cantando cantigas doidas e desatinadas.

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Lembrou-se, também, de Bastiana Mingau, preta velha e forra que vivia em companhia do compadre seu.

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E demos muitas risadas, quando vovô disse que Bastiana rezava, gritava e chorava entre tosses, risos e peidos.

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Que vontade de ter vivido a infância de vovô para ter conhecido Mestra Biela - culta, violonista, professora - que filosofava sobre política municipal dizendo que chegaria o dia de cair os muros e subir os monturos.

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Vovô disse que se arrepiava diante de tão louca lucidez.

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E Onofre?

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Repetidor de frase conhecida até pelas ruas e becos da cidade:

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-"Encher 'pó' é 'ieu', fazer 'chichimia' é os 'oto' ".

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E vovô disse que ainda sou criança para entender o que é "fazer chichimia". Um dia eu aprendo. . .

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Vovô contou-me a história de Rita Pezinho que era o terror da criançada e sentava-se nos degraus do Rosário e passava horas quieta, até que a "capetada" viesse lhe perturbar.

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Aí, então, Rita descia o pau!...

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Vovô falou das ilusões de Rita - que sonhava ver crescer seu pezinho, devorado pelo fogo, o que rendeu seu apelido e a fez conhecida por mais um ditado popular da cidade:

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"Oh! Ilusão de Rita Pezinho"! (Ditos a qualquer um que sonha sonhos doidos.)

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Vovô falou de Varistinho - doidinho por sinos de igreja e também de Zezé Reverth, doido, mas que carregava sonhos grandiosos, de dizer e se achar um nobre, vindo da França - em uma nau, que segundo vovô era um barco grande que fazia viagens intermináveis de um país a outro.

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Pobre Zezé! Como devia sofrer!

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Comoveu-me a triste história de Manoel Rabicó, doido menino que vivia na rua, sujinho que só ele.

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O doidinho tomou banho uma vez na vida, dado pela polícia, nas águas do Fanado, por ordem do prefeito, que lhe pôs bota, gravata e roupa limpa, depois disso Rabicó subia e descia ladeiras dizendo:

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"- Neguinho hoje tá é penando!"

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E encantava a cidade que ria-se das peripécias do Neguinho.

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Essas figuras misturam-se em minha cabeça e me pus a sonhar com cada um e comparei-os em minha meninice, aos doidos de hoje, doidos bobos, sem graça, sem encanto e sem fantasia.

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É vovô!... nossa terra é terra de doido sim, mas eu queria mesmo era ser criança, junto com você, para conhecer as pessoas mais lúcidas de quem já ouvi falar: Os doidos de seu tempo de criança.

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Samuel Gomes Fernandes -

Aluno da 7ª série - E. E. "Dr. Agostinho da Silva Silveira" - MINAS NOVAS (MG)

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E a respeito disto tudo, digo eu:

Toda boa terra que se preza tem lá os seus doidos e ai de quem deles não os considerar, como merecem sê-lo, até porque nunca foram esses orates criaturas indesejáveis mas, ao contrário, verdadeiros anjos que passam a viver eternamente em nossas recordações.

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São eles figuras inolvidáveis, cheias de ternura, inocência e encantamento, como os são os demais santos, as fadas, os magos, os poetas, os pássaros que voam, os bêbados, as flores cheirosas, os músicos de bandas e os sacis.
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Dizem os mais entendidos que a palavra louco tem origem de "
lokos" que no grego significa "lógico".

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E é bem certo que, de filósofo e louco, todos nós temos um pouco.
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(*) Voltando aos "FERNANDOS", tenho um primo, aqui mesmo em BH, que muito prezo, que se chama Fernando, filho de minha saudosa tia Amélia (Menininha de Zé Pequeno). Tenho, também, lá em Betim, um sobrinho que se chama Fernando, muito querido, sendo ele filho de Fira Marques e de Elisa Maria, minha irmã, esta que por sua vez é afilhada de batismo e fã incondicional de FERNANDO FERNANDES (filho do saudoso João Benedito Fernandes, mestre da banda de música "furiosa" Euterpe Conceição, lá de Minas Novas) o qual, ao que me parece, pela sua amizade e simpatia, deu origem aos nomes próprios com os quais toda essa gente foi levada à pia batismal e assim se chama, em homenagem a sua mui querida e bem merecida figura de homem íntegro, bom, alegre, trabalhador e pai de família numerosa e exemplar, de quem todos querem muito bem, não somente no auspicioso município de Minas Novas, mas em todas as cidades de região, como Chapada do Norte, Leme do Prado, Turmalina, Jenipapo de Minas, Francisco Badaró, Berilo e, principalmente, na linda cidade de JOSÉ GONÇALVES DE MINAS, administrada pelo meu amigo prefeito Edson Lago de Souza (Maninho), município novo e progressista que fica às márgens da Barragem de Irapé e cujo topônimo, em homenagem a antigo morador do primitivo povoado, seria muito mais adequado e sugestivo se continuasse como
 GANGORRAS, por ser esta linda denominação pátria mais sonora, romântica, poética e histórica, pelo que aqui fica a minha esperança de doido, que os amigos gangorrenses, sensibilizados com este meu clamor, solicitem um plebiscito com o objetivo de se buscar a adoção do nome original dessa aprazível terra banhada pelo Rio Jequitinhonha.

 

Aliás, a comunidade de Gangorras tem na pessoa de "seu" Fernando toda uma justa consideração, de vez ser ele um festejado pioneiro, daquelas bandas gangorreiras, de Contendas, Bonito, Ribeirão do Altar, Vai-Lavando, Limeiras, Quilombolas, Tabuleiro, Fátima e tantos outros recantos encantadores, o desbravador e benemérito que o foi, nos idos dos anos de 1950, juntamente com o seu compadre JOÃO DE EVARISTO, este dedicado fazendeiro da região que é fabricante do especial e melhor requeijão moreno que já degustei em toda minha vida.

Cada doido tem sua mania.

http://4.bp.blogspot.com/_vrx2gGedsEo/SoLJ_vaFtAI/AAAAAAAACzk/hsZ6Mo7gpQs/s320/IDALINA+PINHEIRO+SENA.jpg-----------------------------------

IDALINA SENA, a minha doce e inesquecível bisavó "Dadá"---------------

Isto já afirmava minha saudosa bisavó Dadá, do alto de sua sabedoria de quem, com muita razão, chegou com saúde à beira do centenário e que, apesar de nada ter escrito no decorrer de sua longa e santa existência, até porque era analfabeta graças a Deus, deixou-me muitas lições e memórias, que ela guardara de seu tempo e de sua gente, as quais ela me transmitia na sua simples oralidade, em razão do fato de que, por achar-me digno de sua graça e confiança, tornou-me o seu predileto interlocutor e principal ouvinte, possibilitando-me a ventura de não deixar que, nos tempos hodiernos (como diria o mestre Cleomar Machado), se percam algumas passagens de nossa história que, a meu jeito, na medida de minhas possibilidades e dos pequenos recursos, procuro reduzir nestas memórias que deixo através deste BLOG.

Confesso que a maior parte dessas "baboseiras", antes de trasladá-las para os arquivos virtuais do computador, eu já as rabisquei nos borradores e babilaques, ou seja, cópias de segurança no original, que vou acumulando em arquivos físicos, tudo bem catalogado e em ordem alfabética, o que, também, constituindo-se em provas documentais, pode caracterizar sinais evidentes de minha sandice, doidice, loucura ou demência.

E é assim que, enquanto vou escrevendo minhas patacoadas, que é minha compulsão, mania, ou extravagância (como afirmam os daqui de casa!) quem quiser ler os meus escritos que os leia – democraticamente - e aqueles que o não desejarem ou acharem trabalhoso ou inútil acessar, via do meu blog, eu posso asseverar-lhes de que não me estão concedendo qualquer favor, causando-me prejuízos de qualquer natureza e nem mesmo haverão de causar-me desgosto, pois olhe que nem mesmo vou ficar sabendo de suas razões em me desprezar, a não ser sobre aqueles que de fato forem mais à toa, ou caridosos, ou sinceros, ou ciosos da perfeição, ou assumidos como paladinos da boa escrita e/ou da correção gramatical, se assim dignarem de apontarem-me onde esteja eu em conflito com a técnica da prosódia, da morfologia, da ortoépia, da sintaxe ou dessa atual ortografia da literatura nacional, estes aos quais acatarei de muito bom grado e admiração.

Digo tudo isto, justificando-me perante alguns leitores que me dão a honra do
feedback, para renovar-lhes o meu desejo de sempre buscar o acerto, o escrever com o máximo de correção, o não ser prolixo, o redigir com coesão e objetividade, o ser jovial e respeitoso com as pessoas de bem, mas voltando a informar, como já o afirmei, de que por mais firme o esforço, enorme o compromisso de acertar - maior em mim é a carência das letras, que infelizmente são poucas.

Peço a todos, portanto, a bondade e o raio da caridade (como dizia outro mestre, o meu padrinho
 Gentil Rei), reiterando-lhes, a todos esses bons amigos, o meu sincero pedido de me ajudarem a aprender a escrever, corrigindo-me sempre que for preciso, mandando-me críticas e aconselhamentos, além de suas lições, novos textos e relatos interessantes, pela simples razão de que não consigo ficar um só minuto sem praticar este vício, esse defeito terrível que de mim se apoderou, que é difícil de ser curado estando eu nesta altura de minha vida, pois se sabe que todo vício é uma doença, mesmo diante da experiência de quem já tenha conseguido se livrar de tantos outros, como o de fumar (cigarros caretas!) e o de beber cachaça (apenas as cotreias!), graves costumes dos quais ninguém, no devido tempo e vis-à-vis, me censurava.

Depois que contraí esse novo vício, substituindo os demais, não menos saudáveis, garanto-lhes que, quando estou escrevendo, não tenho fome, não me incomoda o barulho das ruas ou o avanço das horas e confesso que o meu maior prazer é colocar no papel, ou no blog, tudo que me vem à cabeça em formato de ideias sobre gentes e coisas, desde que o que eu escreva não prejudique as pessoas, seus direitos e seus interesses ou, se for preciso, meu pensamento tenha que se transformar em veneno perigoso e vá atingir os brios ou a sensibilidade de quem não presta, neste caso assumindo a responsabilidade e a firmeza de quem sabe o que está sendo escrito. É bem verdade que faço o maior esforço para escrever direitinho, tudo de acordo com o que manda o Livrinho de Seu Ulisses Guimarães, também o da Santa Madre Igreja (conforme aprendi no catecismo de Seu Levy Maria de São Geraldo) e, principalmente, com o que restou do beabá que aprendi lá no Zé Bento, nas inesquecíveis lições da minha saudosa mestra Dona Maria Lopes, esses mestres alígeros, amigos que o Santo Deus os tenha, e os conserve todos eles, como seus eternos discípulos em sua Divina Glória, Assim Seja! Amém...

E olhe que este exercício se torna cada vez mais difícil para mim, que em termos de escolaridade, tive a ventura de me ilustrar tão-somente até o grau do ginásio do Dr. Agostinho da Silva Silveira, o insubstituível Dr. Funcho, naquele tempo em que se aprendiam, entre tantas sabedorias - hoje descartadas, por superadas e supérfluas – apenas as inutilidades como a História Geral (do Souto Maior e do Prof. Álvaro Freire) das Religiões (de Tabajara Pedroso e do Mestre José Gomes da Silva), dos Rudimentos do Latim (de Pvblius Pompilius e do Prof. Urias Sena), além da prática de boas maneiras e generalidades no exemplo de mestras da têmpera de Dona Myriam e Dona Elisinha Borges, cujos modelos, pela perfeição e raridade, já não se usam mais em nossas modernas escolas. (
Deo Gratias!).

Contudo, mesmo que hoje o próprio computador me ajude, no adjutório tecnológico, mecanizado ou eletrônico, que é esse incrível sistema de revisão automática de nossa bela gramática, é quase certo que, contrariando a mídia, a lógica e a minha própria vontade, muita agressão ao vernáculo eu venha cometendo, involuntariamente, durante toda essa arriscada empreitada que resolvi assumir, que é a de editar um BLOG, enfrentando com ele todos os riscos, ônus, críticas e incompreensões, que são as motivações mundanas. Garanto, porém, que nunca tive a pretensão de ser
 ghost-writer, copy-desk, jornalista, escritor, poeta, lexicólogo, gramático, contista, noveleiro ou qualquer outro tipo de escriba a não ser justamente este com o exercício deste múnus, qual seja o cumprimento de uma grave tarefa que me foi conferida por aqueles mestres, aos quais obedeço fielmente, renovando-me a cada postagem como titular efetivo de resenhas fanadeiras ou, se preferirem, como "escrevente não-juramentado dos causos que me vêm à telha" e, neste mister, ofício ou desiderato, dou-me muito por satisfeito.

Obrigado e até amanhã!

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